Xanana vence prémio literário Guerra Junqueiro Lusofonia de 2021

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Kay Rala Xanana Gusmão. (Foto TP/Maria Lizia)

(Reportagem Isaura Lemos)

DÍLI (Timor Post) – Xanana Gusmão venceu, em representação de Timor-Leste, o prémio literário Guerra Junqueiro Lusofonia de 2021.

Ricardo Antunes, professor de Português, recorda que Xanana Gusmão não é só reconhecido pela luta na libertação do país mas também pela sua qualidade literária.

“Desde cedo, mostrou dotes para a escrita, tendo ganho o Prémio Revelação da Poesia Ultramarina, em 1973, e o 1.º Prémio do Concurso Literário de 1975 do CITT [Centro de Informação e Turismo de Timor], com um poema em jeito de epopeia, que viria a ser publicado em partes pelo jornal A Voz de Timor”, recordou.

O professor lembra também que Xanana escreveu, entre 1977 e 1981, os textos “Pátria e Revolução” e “Guerra, Temática Fundamental do Nosso Tempo”.

“Em 1994, publicou pela primeira vez o livro ‘Timor-Leste – Um Povo, uma Pátria’, obra que veio a ser de referência, quer em Timor-Leste quer no estrangeiro, tendo sido já reeditada”, acrescentou.

Segundo Ricardo Antunes, foi, contudo, na poesia que o líder timorense se destacou.

“No livro “Mar Meu”, de 1998, reuniram-se vários poemas de Xanana Gusmão, escritos no período de 1994 e 1996, durante a prisão em Cipinang. Estes poemas de Xanana conquistaram a crítica literária em língua portuguesa, tendo sido bastante difundidos em países como Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Brasil e Portugal”, explicou.

Na categoria principal deste ano, a premiada é a escritora portuguesa Hélia Correia.

Nesta quinta edição deste festival literário, além de Xanana, são agraciados com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2021 Agustín Nze Nfumu pela Guiné Equatorial, Albertino Bragança por São Tomé e Príncipe, Vera Duarte Pina por Cabo Verde, Abraão Bezerra Batista pelo Brasil, Abdulai Sila pela Guiné-Bissau, Luís Carlos Patraquim por Moçambique e João Tala por Angola.

O Prémio Literário Guerra Junqueiro foi criado em 2017 e incluído no Festival Internacional de Literatura de Freixo de Espada à Cinta, um município português, terra-natal do escritor Guerra Junqueiro.

O festival atribui, desde 2020, prémios a escritores de países lusófonos, sendo que este ano Timor-Leste e Guiné Equatorial participaram pela primeira vez.(Leio outras notícias completas em Português com explicação do vocabulário no jornal Timor Post)