Voluntários do TTM apoiam famílias mais carenciadas

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DÍLI – O Timoroan Tane Malu (TTM), um grupo de voluntários criado há apenas cinco dias, ajudou, esta semana, 18 agregados familiares carenciados da capital com bens de primeira necessidade. O objetivo é chegar a mais 178 famílias de Díli e, se for necessário, apoiar outros municípios afetados pela covid-19.

Segundo fonte do TTM, o grupo quer manter o espírito de solidariedade em Timor-Leste, “um princípio presente desde sempre na sociedade timorense, mas que, pouco a pouco, se começa a perder”.

“Coordenamo-nos com outros grupos com as mesmas ações de solidariedade, quando pretendemos entrar em certos bairros. Caso, segundo as autoridades locais, a população tenha já recebido alguma assistência de outros grupos, decidimos ir à procura de mais pessoas carenciadas”, disse a fonte aos jornalistas do Timor Post.

O TTM já registou, em apenas cinco dias, 178 famílias desfavorecidas que deverão receber assistência do grupo – 21 da aldeia de Aimutin, 27 de Delta, 50 de Comoro e 80 de Kakaulidun – cujo apoio será dado com base numa análise socioeconómica desses agregados.

“Nós, os membros do grupo, envidamos todos os esforços apenas para manter a solidariedade em circunstâncias difíceis como as de agora. Há habitantes que afirmam que estamos à procura de popularidade. Contudo, para nós, a assistência a quem precisa deve ser prioritária”, referiu.

O voluntário considera igualmente que os cidadãos da classe média alta não têm dificuldades em lidar com a crise originada pela covid-19 e o impasse político em que vive o país já há mais de dois anos. No entanto, para os mais desfavorecidos, todo este contexto é difícil, o que, segundo o coordenador, poderá, no início do mês de maio, causar vários problemas sociais.

“As medidas de resposta às necessidades do povo tomadas pelo Governo, durante o estado de emergência, são lentas. Então, estas ações têm como finalidade apoiar o Executivo numa resposta urgente às situações críticas manifestadas pela população”, referiu.

“É também nossa responsabilidade tomar decisões neste tipo de situação. Tentamos, então, organizar-nos e criar o TTM. Juntamos o básico para podermos oferecer às famílias carenciadas. Colegas da Irlanda [do Norte] vão igualmente apoiar este movimento para ajudar os mais carenciados no nosso país”, disse.

Segundo o voluntário, fazem parte destes bens essenciais oferecidos arroz, óleo vegetal, sal, feijão, entre outros produtos que possam responder às necessidades urgentes da população.

“Já demos apoio em Díli e vamos depois alargá-lo a outros municípios, dependendo também da ajuda dada por outros voluntários timorenses no estrangeiro. Aproveitamos este tempo de distribuição [de bens de primeira necessidade] para sensibilizar a nossa comunidade para não depender demais dos produtos importados. Adquirimos, por isso, não só alimentos importados como locais”, referiu.

O responsável revelou ainda que o grupo já reuniu os dados das famílias carenciadas, em especial os de deficientes e órfãos, através dos parentes que residem nos bairros e de outros grupos que realizam ações solidárias.

Fazem parte do TTM alguns elementos do Governo, da sociedade civil e outros timorenses que residem no Reino Unido, Irlanda do Norte, Coreia do Sul, Austrália e Timor-Leste. (yto)