Viagem do PPN e equipa desrespeita confinamento obrigatório

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Presidente do Parlamento Nacional (PPN), Aniceto Guterres. Foto TATOLI

DÍLI (Timor Post) – O Programa de Monitorização do Sistema Judicial (JSMP, em inglês) discorda da realização da viagem do Presidente do Parlamento Nacional (PPN) e da sua equipa ao estrangeiro e considera que esta viola as normas de confinamento obrigatório implementadas em Timor-Leste.

A Diretora-Executiva do JSMP, Ana Paula Marçal, disse que é importante os líderes cumprirem as regras impostas pelo Governo para também a população respeitar estas normas.

“Estou assustado com a informação que o Presidente do Parlamento Nacional e a equipa viajam para o estrangeiro. O JSMP considera que os líderes não pensam no seu povo e já violaram as regras de confinamento obrigatório”, afirmou Ana Marçal ao Timor Post, na passada sexta-feira (03/09), no seu local de trabalho.

A responsável defende que a viagem do PPN e da sua equipa contribui para a perda de confiança do povo nas normas de prevenção da covid-19, nomeadamente em relação à cerca sanitária e confinamento obrigatório impostos pelo Governo.

“O Governo decide e impede qualquer cidadão de circular livremente de um para outros municípios, mas os líderes violam estas normas, o que significa uma perda de confiança da população”, referiu.

A dirigente apelou ainda aos dirigentes que não criassem confusão junto do povo e participassem na reunião através de videoconferência.

“O JSMP recomenda aos líderes do Estado que atuem de acordo com a atual situação para não prejudicarem o povo nesta situação de incerteza”, acrescentou.

Recorde-se que também o deputado do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) José Virgílio questionou a viagem que o Presidente do Parlamento Nacional (PPN), Aniceto Guterres, fez recentemente à Áustria por a considerar inoportuna no momento em que Díli mantém a cerca sanitária e confinamento obrigatório.

O parlamentar teceu ainda críticas ao Governo por permitir que a elite possa sair livremente do país, numa altura em que a capital se encontra em confinamento obrigatório.

“Fiquei perplexo, ao ouvir que o Presidente do PN, Aniceto Guterres, os deputados Luís Roberto e António da Conceição ‘Kalohan’ viajaram rumo à Áustria, enquanto a população continua encurralada sem poder sair da capital”, disse José Virgílio aos jornalistas, no Parlamento Nacional.

Segundo o deputado, apesar de a maioria da população estar a sofrer as consequências do confinamento, os líderes nacionais desperdiçam dinheiro no estrangeiro sem nenhum objetivo aparente.

“Enquanto representante do povo, tenho de questionar os rios de dinheiro gastos no estrangeiro sem qualquer retorno. Já o povo continua a sentir na pele as fortes restrições e situações de fome”, lamentou.

José Virgílio lembrou ainda que, durante o confinamento obrigatório, os cidadãos dos municípios de Aileu, Ainaro, Liquiçá, Ermera e Manatuto estão impedidos de entrar livremente na capital, ainda que tenham a vacinação completa.

“Criámos as normas, mas nós, os líderes, não as cumprimos”, disse.

Para José Virgílio, era escusada a ida dos três deputados a Áustria, sugerindo, ao invés, que participassem no evento através de videoconferência.

“Foram apenas convidados os deputados das bancadas que apoiam o Governo, como a do Partido Democrático (PD) e a do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO). Caso o CNRT fosse convidado, não aceitaria, devido à situação difícil por que passa o nosso povo”, afirmou. (jxy/kyt)

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