Vendas de artesanato, roupas em segunda mão e pequenos restaurantes em queda

by -111 views

DÍLI- Os vendedores de artesanato, roupas em segunda mão e restaurantes queixam-se da falta de clientes e de quedas brutais nos lucros. A sua única esperança é agora a aprovação dos Orçamentos Gerais de Estado de 2020 e 2021.

Maria Madalena Gomes, vendedora de ‘tais’ no mercado de Colmera, mostra-se preocupada, pois, desde janeiro deste ano, o lucro destes vendedores caiu significativamente devido à falta de clientes.

Segundo Madalena, antes da crise pandémica da covid-19, o artesanato – tais, miniaturas de casas tradicionais timorenses, surik (espada), belak, mortel e outros produtos – tinham saída graças aos turistas.

“Não temos rendimento. É cada vez pior, de dia para dia, devido à falta de turistas estrangeiros. Estes costumavam vir fazer compras aos sábados e domingos. Os compradores locais vêm apenas quando têm eventos rituais ou funerais”, disse a vendedora, no passado domingo (18/09), aos jornalistas do Timor Post, no Mercado de Colmera, Díli.

“Antes do surto da covid-19, atendíamos clientes ‘malaes’ [estrangeiros], às vezes, de manhã à noite, com um rendimento de cerca de 75 dólares americanos por dia. Atualmente, a situação do mercado torna-se cada vez mais insustentável”, acrescentou Maria Madalena.

Semelhante preocupação vem de Mário Silva, também vendedor de tais, mas no mercado de Taibessi.

“Agora temos falta de clientes. Às vezes, conseguimos 10 dólares americanos por dia, um rendimento que nem sequer é suficiente para as nossas necessidades diárias e educação das crianças. A vida torna-se cada vez pior”, disse Mário da Silva aos jornalistas, no seu local de negócio.

Mário referiu ainda que, mesmo sem compradores, mantém as vendas por falta de alternativas.

Também Helena Maria do Rosário, uma vendedora de roupas em segunda mão, no mercado de Taibessi, se mostra preocupada, pois, desde janeiro, o seu rendimento reduziu drasticamente devido à falta de clientes.

“Desde o início de 2020 que já estamos com menos compradores, mesmo vendendo o mais barato possível. Agora, às vezes, obtemos um rendimento de cerca de 10 dólares. É muito pouco comparado com antes, que era de 75 a 100 dólares americanos por dia. Como é que podemos sustentar a família e tratar da educação dos filhos com isto, em Díli, que tudo é dinheiro?”, questionou, preocupada.

A crise chegou igualmente aos pequenos restaurantes. Revelina da Silva, proprietária de um restaurante no mercado de Taibessi, conta que também menos pessoas comem fora.

“Preparamos uma variedade de refeições e temos de as dar aos porcos ou estraga-se”, diz Revelina.

Apesar das preocupações, os vendedores compreendem as razões para a atual crise e têm esperança na aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020. (Mj1)

No More Posts Available.

No more pages to load.