UE apoia Governo timorense com dez milhões de dólares

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Díli- A União Europeia (UE) apoia o Ministério da Saúde com dez milhões de dólares no combate à má nutrição em Timor-Leste.

“A verba doada pela União Europeia ao Ministério da Saúde é de dez milhões de dólares. O orçamento será dividido em duas parcelas. Cinco milhões são para os primeiros cinco anos. As verbas destinam-se a combater a desnutrição aguda, moderada, incluindo a das grávidas, fornecendo-lhes suplementos alimentares”, afirmou o Vice-Ministro da Saúde, Bonifácio Maucoli, na quinta-feira (23/07), no Ministério das Finanças.

O vice-ministro destacou ainda o progresso significativo registado nas diferentes unidades de saúde relativamente à implementação do programa da má nutrição.

“O programa está em curso. De acordo com os indicadores, entre 74% e 75% das crianças malnutridas foram atendidas em 2019, uma percentagem bastante satisfatória”, afirmou.

Já Agostinha Segurado, Diretora-Executiva do Serviço de Saúde do Município de Díli (SSMD), tinha antes afirmado de que os dados da sua direção mostravam que Ataúro constituía o único posto administrativo do Município de Díli sem casos de má nutrição.

“Apesar de não me lembrar dos dados estatísticos relativos ao município de Díli, sei que Ataúro regista nenhum caso de crianças que sofrem de má nutrição, bem diferente do que sucede nos restantes cinco postos administrativos”, afirmou aos jornalistas, na passada sexta-feira (17/07), no seu local de trabalho, em Formosa, Díli.

Num cenário oposto, Agostinha referiu que os postos administrativos de D. Aleixo e de Cristo Rei são os que enfrentam mais problemas, com inúmeros casos de subnutrição, fruto também da maior densidade populacional.

“De acordo com os últimos dados consultados ainda ontem, Comoro e Becora registaram mais casos má nutrição, seguidos dos postos administrativos de Na’in Feto e Vera Cruz”, referiu Agostinha Segurado.

Segundo a diretora, o Ministério da Saúde pediu que fosse reduzida a percentagem de desnutrição para valores inferiores a 10%.

“Recebemos instruções [da saúde] a nível nacional para fazermos baixar o índice de desnutrição para valores inferiores a 10%. Situamo-nos agora nos 10% e ainda não conseguimos reduzir, o que significa que o problema da má nutrição presente na capital não está totalmente erradicado”, afirmou.

De acordo com a responsável, os programas que incidem sobre o combate à desnutrição nos centros de saúde da capital continuam a decorrer dentro da normalidade.

“Ainda mantemos ativos diversos programas nos centros de saúde, como a Sisca, Clínica Móvel e o controlo do peso das crianças, para identificar se [o nível de subnutrição] é moderado ou grave. Preparamos também suplementos alimentares, não somente para as crianças mas também para as grávidas e as mulheres que amamentam”, garantiu.

Já Jaime dos Santos, Chefe do Centro de Saúde de Formosa, tinha antes dito que a desnutrição se devia à incapacidade dos pais em prepararem alimentos mais ricos em nutrientes.

“Quando uma criança adoece, o seu peso diminui, o que origina de imediato problemas de desnutrição. Apesar da abundância de géneros alimentícios, quando mal preparados, não promovem a saúde dos seus consumidores. A redução do peso da criança deve-se também às condições económicas [da família]. Como pode o peso aumentar, se comemos apenas uma ou duas vezes em vez de fazermos três refeições por dia?”, questionou Jaime dos Santos.

Breviado dos Santos, Chefe da Unidade Pediátrica do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), tinha anteriormente explicado que as doenças afetam as crianças desde os primeiros três meses no útero da mãe até ao nascimento.

O responsável referiu ainda que, se nos primeiros três meses, as mães não efetuam tratamentos adequados, nomeadamente a imunização e toma de vitaminas, até ao parto, os bebés não nascerão saudáveis.

“Se não cumprirmos as orientações dos profissionais de saúde, as crianças perdem peso e facilmente são afetadas por doenças”, concluiu. (jry)