UBS do HNGV só com sangue disponível para dois dias

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Díli – A Unidade do Banco de Sangue (UBS) do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) possuía até a 16 de junho somente 76 pacotes de sangue, o que permite apenas responder a casos de urgência durante um ou dois dias, revelou o Chefe da UBS, Januário Freitas.

“Temos atualmente 76 pacotes de sangue, 16 do tipo sanguíneo A, 23 do B, sete do AB e 30 do O. Estes pacotes podem só dar resposta a casos urgentes durante um ou dois dias”, avançou o Chefe da UBS aos jornalistas, nesta terça-feira (16/06), no seu local de trabalho, em Bidau.

Segundo Januário, no HNGV, a Maternidade é a unidade que mais necessita de sangue.

O chefe recordou ainda que a UBS disponibilizou também, nos últimos meses, sangue aos hospitais de referência, com destaque para o de Baucau e o de Maubisse, e à Clínica de Fatumeta.

“A Maternidade precisou muito de sangue durante o surto de dengue dos passados meses. Por isso, todas as noites, a nossa equipa tinha de estar pronta para dar resposta. Além disso, a Clínica de Fatumeta e alguns hospitais de referência remeteram pedidos de sangue. Contudo, às vezes, não lhes era dada resposta devido à falta de stock de sangue”, avançou.

O responsável recordou ainda que, desde a primeira fase do estado de emergência, a UBS tem registado uma queda no número de dadores voluntários de sangue.

“Antes da covid-19 [em Timor-Leste], tínhamos inúmeros dadores voluntários de sangue. Podíamos receber, num só mês, mais de 700 pessoas, ao contrário do período da covid-19, em que, por mês, vieram apenas cerca de 16 voluntários, o que obrigou os familiares dos doentes a doar sangue”, contou.

“Nesta situação, não é bom obrigarmos as pessoas a virem doar o seu sangue. E, se um dos nossos familiares precisar de sangue, queiramos ou não, devemos fazer a doação”, acrescentou.

De acordo com Januário, foram detetadas, em alguns dadores, doenças transmissíveis, como VIH, hepatites e sífilis.

O responsável explicou ainda que a atividade regular de doação de sangue esteve, durante o estado de emergência, parada em todas as instituições.

O dirigente lembrou, apesar disso, que, segundo os dados do mês de maio, foram disponibilizados 94 pacotes de sangue à Maternidade, 51 ao Departamento de Cirurgia, 161 à unidade de internamento, 43 ao Departamento de Pediatria, quatro ao Hospital de Referência de Baucau e 39 à Clínica de Fatumeta. (jry)