Três pilares da economia com problemas no funcionamento

by -36 views

Díli – O Reitor do Instituto de Gestão Empresarial (IOB, sigla inglesa), Augusto Soares, considera que os três pilares da economia nacional – os setores privado, cooperativo e público – evidenciam problemas no seu funcionamento.

Augusto Soares recordou que a economia timorense tem sofrido, desde o impasse político, uma recessão.

“A nível económico, Timor-Leste continua a depender do Orçamento Geral do Estado. Não conseguiremos fazer crescer a nossa economia, enquanto continuarmos com os duodécimos”, afirmou o Reitor do IOB, na segunda-feira (24/08), no Fomento.

O dirigente sublinhou ainda a importância de o Governo investir nos setores produtivos, nomeadamente na agricultura, turismo, infraestruturas básicas, educação e saúde.

Como refere Augusto Soares, a Comissão para a Elaboração do Plano de Recuperação Económica detetou, ao longo dos últimos dois meses, vários problemas económicos e apresentou uma proposta ao Executivo, no montante de 1,8 mil milhões de dólares para o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2021, para impulsionar de novo a economia do país.

Para o académico, as três áreas em causa constituem os principais indicadores para a recuperação e o desenvolvimento económico do país. Insistiu também que Timor-Leste está muito dependente do OGE, sobretudo do Fundo Petrolífero, pelo que sugere ao Governo que apresente um OGE a rondar os 1,3 e os 1,6 mil milhões de dólares.

O reitor salientou, de igual modo, a necessidade de o Executivo assumir a capacidade de liderança e gestão de forma a poder executar o orçamento na sua totalidade.

“Será que o Executivo pode responder a todas as recomendações da Comissão?”, questionou, recordando que, embora o Governo tivesse um plano adequado, falhou na sua execução devido à má gestão.

Augusto Soares apelou, por isso, ao Executivo que investisse no setor privado para que o país não fique à mercê das importações.

“Devemos reduzir a importação de arroz, peixe e frango congelados, contribuindo, desta forma, para o aumento da produção local”, sugeriu.

Duodécimos só servem para “engordar” estrutura do VIII Governo

Augusto Soares acusa o Executivo de utilizar os duodécimos para “engordar” a sua estrutura governamental.

“O orçamento só é gasto para beneficiar a estrutura do VIII Governo. O povo não goza nada. O poder de compra das famílias diminuiu. Logo, não há circulação de moeda no país”, lamentou, acrescentando que o regime de duodécimos visa apenas alimentar a máquina do Estado.

Questionado sobre a execução do OGE de 2020, o académico garantiu que o Governo não executará o orçamento na sua íntegra devido ao prazo ser diminuto e ao facto de a execução do Fundo Covid-19 ter apenas atingido os 54%.

“Não me importo se o orçamento não for executado na sua totalidade. O que interessa é que o orçamento seja bem gasto. Isto tem de ser bem pensado”, concluiu. (kyt)