TL não é província norte-americana

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DÍLI- Leandro Isaac, ex-deputado do Partido Social Democrata, disse que Timor-Leste é um país soberano e não uma província dos Estados Unidos da América (EUA), pelo que os norte-americanos não podem impedir o país de fazer levantamentos dos seus depósitos na Reserva Federal americana.

As declarações de Leandro Isaac surgem na sequência das informações vindas a público de que existem problemas em relação a levantamentos do Fundo Petrolífero depositado na Reserva Federal norte-americana.

“O dinheiro que depositamos no Banco Federal da América é propriedade do povo de Timor-Leste, que é reconhecido, juridicamente, pela comunidade internacional. Não há nenhuma razão para os EUA, muito menos o Banco Federal da América, impedirem a transferência com base na vontade de um ou dois líderes timorenses. Isto não está certo e os EUA não têm este princípio”, disse Leandro Isaac, na passada sexta-feira (12/02), aos jornalistas, em Bidau, Díli.

Leandro Isaac referiu ainda que o Estado norte-americano defende sempre os princípios democráticos, tal como demonstrou em relação ao caso do golpe militar na República da União de Myanmar.

“No caso de Myanmar, o Presidente da América está a ponderar aplicar sanções e impedir os generais golpistas não só de acesso a depósitos na América como de obter assistência americana, num valor de 1,9 milhões de dólares americanos”, frisou.

“Agora, eu pergunto, porque é que a América não permite a transferência do nosso dinheiro, se a democracia está em normal funcionamento neste país? Será que por falta de assinatura de Arão Noé, segundo os rumores que circulam por aí?”, questionou Leandro.

Recordou ainda que o Orçamento Geral do Estado foi aprovado pelo Parlamento Nacional, promulgado pelo Presidente da República e enviado de volta ao Governo para tratar da sua transferência.

“Já atravessámos um normal processo orçamental. Agora cabe ao Ministério das Finanças apresentar um pedido de transferência ao Banco Central do orçamento da Reserva Federal da América. Aguardamos o processo!”, explicou.

O ex-deputado considera ainda que o adiamento da transferência dos EUA se prende com o facto de este ser um Governo recém-formado e ter um novo Ministro das Finanças, mas também para a Reserva Federal americana conseguir mais juros e competir em negócios com a China.

“Os produtos importados pela China são baratos na América, pois a mão de obra chinesa é barata. Aqui surge uma competitividade de negócios não saudável entre os dois países. Aguardamos uma estabilização por parte dos EUA e, talvez, a transferência do nosso dinheiro seja feita dentro de uma ou duas semanas. Portanto, não é necessário inventar nada. Não é assim que pretendemos desenvolver este país”, destacou.

Recorde-se que muitos representantes do povo no Parlamento Nacional questionam e lamentam o atraso no salário de inúmeros funcionários públicos e o pagamento às empresas distribuidoras da Cesta Básica. (jry)