Timor-Leste melhora no Índice de Perceção da Corrupção em 2019

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DÍLI- Timor-Leste melhorou no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional, passando da posição 105.ª, em 2018, para o 93.º lugar, em 2019, num ranking de 180 países.

O país obteve, entre os 100 pontos possíveis, 38 em 2019 no Índice de Perceção da Corrupção, o principal indicador global sobre os níveis de corrupção no setor público de cada país, cuja lista é divulgada anualmente pela Transparência Internacional.

Segundo o ranking divulgado na passada quinta-feira (23/01), em Berlim, na Alemanha, apesar da pontuação negativa, o índice de Timor-Leste melhorou em relação a 2018, ano em que se situava no 105.º lugar, com 35 pontos, o que significou também um retrocesso em relação a 2017, considerado o melhor ano de sempre, em que se localizava na 91.ª posição.

Timor-Leste – Índice de Perceção de Corrupção

(Fonte: Transparência Internacional)

Ano Ranking de corrupção

 

Pontuação

(0-100)

2019 93.º 38
2018 105.º 35
2017 91.º 38
2016 101.º 35
2015 123.º 28
2014 133.º 28
2013 119.º 30
2012 113.º 33
2011 143.º 24
2010 127.º 25
2009 146.º 22
2008 145.º 20
2007 123.º 26
2006 111.º 26

No que toca à Ásia Pacífico, onde se integra Timor-Leste e são analisados 31 países, a região é liderada pela Nova Zelândia, que obtém 87 de 100 pontos, seguida por Singapura e Austrália, com pontuações de 85 e 77, respetivamente.

Nas últimas posições, estão a Coreia do Norte, com uma pontuação de 14, devido a, como refere o relatório, uma corrupção generalizada e persistente em todo o país. Seguem-se o Afeganistão (16) e o Camboja (20), os mais pobres da região.

“Com uma média de apenas 44 pontos em três anos consecutivos, a região da Ásia Pacífico está a fazer poucos progressos na luta contra a corrupção. Em comparação com outras regiões, a Ásia Pacífico está ao nível das Américas (classificação média de 44) na sua falta de progressos e atrás da Europa Ocidental e da União Europeia (nota média de 66)”, refere o documento.

Uma das razões apontadas pelo relatório para se registarem poucos progressos no combate à corrupção é o “enfraquecimento geral das instituições democráticas e dos direitos políticos”, sobretudo no Camboja e Tailândia.

Quanto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), registaram-se melhorias globais. Portugal é o país com o melhor índice, ocupando a 30.ª posição. Seguem-se Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, na 41.ª e 64.º posições, respetivamente. O Brasil manteve a pontuação face a 2018 e ocupa o 106.º lugar. Já Moçambique e Angola se encontram na 146.ª posição do ranking, com 26 pontos, o que representou uma melhoria nos dois países face a 2018. Com apenas 18 pontos, a Guiné Bissau situa-se no 168.º lugar. O país da CPLP com piores índices de corrupção é a Guiné Equatorial, ocupando um dos piores lugares do mundo, na posição 173.ª.

Recorde-se que o Índice de Perceção da Corrupção da Transparência Internacional foi criado em 1995. Apresentando indicadores globais sobre os níveis de corrupção no setor público de 180 países, o estudo é feito com base em várias pesquisas de instituições como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial, a publicação britânica The Economist, entre outras.

Corrupção em Timor-Leste: Inexperiência governativa e orçamento que não chega a setores fundamentais

Apesar de se mostrar satisfeito com a melhoria em Timor-Leste do Índice de Perceção da Corrupção da Transparência Internacional, o Diretor da organização Lalenok ba Ema Hotu (LABEH), Christopher Samson sublinha que a pontuação de Timor-Leste ainda é baixa.

“Timor-Leste obteve 38 pontos a nível global. É preciso aumentar dois pontos para conseguir obter 40 ou mais”, afirmou, referindo igualmente a importância da existência da Lei Anticorrupção para se avançar no combate à corrupção.

Para o responsável, a corrupção deve-se à má gestão do dinheiro público, o que terá contribuído para piores índices de corrupção em 2018.

“Após as eleições e formação do Governo, este Executivo mostrou inexperiência, porque tinha ao seu dispor muito dinheiro”, disse o diretor à jornalista Timor Post, na passada sexta-feira (24/01), no seu escritório, em Comoro.

Christopher Samson vai mais longe e considera que o recuo nos índices de perceção da corrupção, em 2018, revelou as dificuldades do Governo em canalizar o orçamento para áreas essenciais.

“A Transparência Internacional avaliou a alocação do OGE, como, por exemplo, do orçamento destinado à educação, sobretudo no programa de merenda escolar. Não se sabe para onde vai este dinheiro”, afirmou.

Para o diretor, a alocação de orçamento para alguns projetos, que considerou “errados”, como os aeroportos de Suai e Oé-Cusse, é também uma fonte de corrupção.

Segundo o diretor, a pontuação de Timor-Leste, em 2017, ano em que o país apresentou o melhor resultado de sempre, deveu-se ao impasse político, que acabaria por levar ao regime em duodécimos. (isa)

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