Timor-Leste adere a Movimento Global de Nutrição

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DÍLI- O Governo timorense aderiu oficialmente, esta terça-feira (13/10), ao Movimento Global para a Melhoria da Nutrição (Scaling Up Nutrition Movement, em inglês), que já contava com 61 país membros, com objetivo de melhorar a nutrição em Timor-Leste.

A Ministra da Saúde, Odete Belo, destacou a importância da adesão do país a este movimento.

“A nutrição em Timor-Leste mantém-se como um problema de saúde pública e a má nutrição continua a ser uma das mais elevadas nos países da região da Ásia Pacífico”, afirmou a ministra, no seu discurso, no Ministério das Finanças, em Aitarak-Laran, Díli.

A governante recordou que, de acordo com os dados da Pesquisa de Saúde e Demográfica de 2016, sofrem de nanismo 47% das crianças com menos de cinco anos, 24% de má nutrição, 6% de obesidade e cerca de 40% de anemia. Menos de 50% das crianças timorenses são amamentadas e apenas 13% das crianças e jovens entre os 6 e os 23 anos seguem uma dieta recomendada.

“Em relação à situação da nutrição materna, 27% das mulheres entre os 15 e os 49 anos sofrem de desnutrição e 23% das mulheres nas mesmas faixas etárias de anemia”, acrescentou.

Segundo a ministra, estes problemas são provocados pela falta de alimentos nutritivos para os bebés e as crianças, mas também de água e saneamento básico, de cobertura nas áreas da prevenção, promoção da saúde e de serviços de nutrição adequados.

Odete Belo destacou, contudo, os esforços do Ministério da Saúde na promoção de uma alimentação saudável, da amamentação materna e na distribuição de suplementos de vitamina A, ácido fólico, mas também de desparasitantes. Lembrou ainda o tratamento de pessoas com má nutrição aguda, moderada e grave e a observação do crescimento e a imunização das crianças e das mães.

A ministra acrescentou que o ministério está a desenvolver estratégias para melhorar a nutrição e a elaborar também uma segunda pesquisa relacionada com os alimentos nutritivos em Timor-Leste, que será divulgada em breve.

Também a representante das Nações Unidas em Timor-Leste, Valérie Taton, destacou a necessidade de melhorar a nutrição no país.

“Para melhorar a nutrição, precisamos de reunir, entre outros, progressos nas áreas da saúde, educação, emprego, empoderamento das mulheres e meninas bem como na redução da pobreza e igualdade”, afirmou.

Segundo a responsável, a Organização das Nações Unidas (ONU) comprometeu-se a contribuir para ações relativas à nutrição, entre 2016 e 2025, para que possam ser implementadas políticas coerentes para dez anos, programas e grandes investimentos, “não deixando ninguém para trás”.

“Apesar dos avanços, Timor-Leste ainda tem uma das mais elevada taxas de subnutrição infantil no mundo”, disse, acrescentando que estes números se devem a práticas alimentares incorretas, o que faz com que uma em cada duas crianças timorenses sofra de nanismo, 20 mil de má nutrição e 113 mil tenham deficiências de ferro.

“É importante garantir a coerência política e o reforço da coordenação multissetorial, harmonizando o esforço das partes interessadas em alcançar os objetivos”, alertou.

Valérie Taton recordou também que, para alcançar o objetivo de melhorar a nutrição do país, as crianças devem ter oportunidade de mostrar o seu potencial.

“Deveremos resolver as questões urgentes do empoderamento das mulheres, erradicação da pobreza, redução da mortalidade infantil, a melhoria do saneamento básico e água canalizada, a saúde materna, o combate às doenças na infância e alcançar o ensino primário universal. Temos de nos concentrar também na nutrição, desde a conceção até o bebé fazer dois anos”, afirmou.

A responsável defendeu ainda que a ONU tem o compromisso de apoiar o Governo timorense e mantém os seus esforços de fortalecer a coordenação multissetorial e parceria entre as entidades relevantes.

PM quer melhores condições para população em vários setores

O Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, defendeu, na sua mensagem de adesão de Timor-Leste ao Movimento Global para a Melhoria da Nutrição, uma melhoria das condições de vida do povo timorense, sobretudo nas áreas sociais e infraestruturas.

“Timor-Leste assumiu o compromisso de melhorar as condições de vida das populações, especialmente o seu bem-estar nas áreas da educação, saúde e alimentação, e no acesso a serviços e infraestruturas básicas, contribuindo para o desenvolvimento e estabilidade económicos do país”, afirmou o Chefe do Governo, esta terça-feira (13/10), em Aitarak-Laran, Díli.

O Chefe do Governo defendeu também que o Executivo tem o compromisso de combater a desnutrição através desta adesão ao movimento.

“Este compromisso encoraja a nossa aposta estratégica de combate à pobreza e à subnutrição infantil e familiar, que justifica a nossa adesão ao Movimento Global para a Melhoria da Nutrição”, disse.

Taur Matan Ruak acrescentou que se devem mobilizar os recursos humanos e financeiros para a criação de “novas Parcerias Públicas e Privadas, para a implementação de um Roteiro Operacional do Movimento SUN em Timor-Leste, apoiando os planos e políticas de nutrição nacionais”.

Segundo o Primeiro-Ministro, o apoio deste movimento global em Timor-Leste poderá dar às crianças uma vida melhor, contribuindo para a redução do índice de subnutrição e de mortalidade infantil, garantindo o desenvolvimento de uma sociedade saudável e ativa, com crianças bem alimentadas, famílias prósperas e populações fortes.  (isa)

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