SAMES receberá fundo de 1,8 milhões de dólares para aquisição de medicamentos

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Díli- O Serviço Autónomo de Medicamentos e Equipamentos de Saúde (SAMES) deverá receber 1,8 milhões de dólares do Ministério das Finanças para a aquisição de fármacos.

O Diretor-Executivo do SAMES, Santana Martins, revelou que, apesar de o stock de medicamentos no armazém do SAMES estar apenas nos 28,2%, distribuiu recentemente um leque considerável de fármacos à Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Nacional Guido Valadares (HNVG) em resposta às necessidades básicas deste centro hospitalar.

“Mantemos o esforço adicional para ultrapassarmos esta situação delicada. Agradecemos, por isso, ao Ministério das Finanças por nos ter concedido um apoio financeiro importante no valor de 1,8 milhões de dólares. Esta fatia vai permitir-nos dar continuidade ao processo de aprovisionamento de medicamentos”, afirmou aos jornalistas, na sexta-feira (21/08), em Kampung Alor.

Segundo o diretor, o SAMES tem sabido gerir as verbas para assegurar o sistema de aprovisionamento de medicamentos, numa altura em que as farmácias passam por dificuldades, não conseguindo abastecer-se de fármacos em número suficiente para fazer face às necessidades.

“Ainda que o SAMES tenha agido de forma responsável para responder a todas as farmácias do país, a verdade é que as privadas que possuem um contrato com o nosso serviço enfrentam um problema de falta de medicamentos”, referiu.

De acordo com Santana, as farmácias e os farmacêuticos importam grande parte dos medicamentos da Indonésia por via terrestre, mas as restrições impostas nas zonas fronteiriças impedem que seja feita o seu transporte para Timor-Leste.

“Demos conhecimento a toda a população deste condicionamento, que não afeta apenas o nosso país, mas todo o mundo”, sublinhou.

Santana destacou ainda a importância de manter uma reserva de medicamentos vitais, salientando que parte destes fármacos foi já entregue ao centro hospitalar de Díli.

O diretor realçou ainda que os fármacos considerados vitais e que se destinam, grande parte, a pacientes com problemas cardiovasculares, não se podem esgotar.

“É notória a escassez de medicamentos, sobretudo destinados aos doentes que sofrem de problemas associados ao coração. Se o fundo de 1,8 milhões de dólares for aprovado, poderemos então adquirir os tais medicamentos de modo a travarmos a redução de stock. Caso contrário, sairemos prejudicados, pondo em causa a qualidade de tratamento dos pacientes”, afirmou.

O responsável lamentou, entretanto, o facto de a reserva dos medicamentos Getamicin e Ketamin estar já esgotada na esmagadora maioria das unidades hospitalares e centros de saúde.

“A distribuição dos fármacos não se limita apenas ao HNGV, mas a todos os hospitais e centros de saúde”, disse.

Santana avançou também que a equipa de aprovisionamento recebeu já instruções para o modelo a ser posto em prática na utilização dos 1,8 milhões dólares provenientes do Ministério das Finanças.

O diretor lembrou ainda que o Ministério da Saúde vai alocar o fundo de contingência da covid-19 no valor de 5,8 milhões dólares para o SAMES, cujo processo está, neste momento, em curso.

O responsável recordou ainda que, apesar de o SAMES ter recebido os documentos a 30 de julho deste ano, o processo que envolve o contrato será efetuado somente em meados de setembro, enquanto a aquisição dos fármacos terá lugar entre finais de novembro e inícios de dezembro.

Santana garantiu, entretanto, que o SAMES não permitirá que o stock em armazém venha a sofrer uma rutura, sublinhando que envidará todos os esforços para que a saída de stock seja substancialmente reduzida.

Inácio dos Santos, gestor da clínica de Bairro Pité, disse, por seu turno, que a clínica mantém a reserva dos principais medicamentos fruto de doadores australianos, entre outros.

“Apesar de enfrentarmos atualmente uma crise financeira, temos sabido gerir o stock de medicamentos. Apresentámos uma proposta de apoio ao Ministério da Saúde para que nos conceda uma ajuda através do Fundo da Covid-19. O apoio visa podermos efetuar o pagamento dos nossos profissionais de saúde na clínica”, referiu.

Também a responsável do posto de saúde de Maloa, Luísa da Costa, afirmou que o seu espaço tem medicamentos em número suficiente para garantir o atendimento adequado aos pacientes.

“Fizemos recentemente um pedido ao SAMES no sentido de adquirirmos mais medicamentos. A proposta foi atendida, pelo que temos uma boa reserva de fármacos.”, concluiu. (res)