Recrutamento de assessores serve apenas para distribuir poder

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DÍLI- O Diretor-Executivo do Fórum das Organizações não Governamentais de Timor-Leste (FONGTIL), Daniel Santos do Carmo, considera que o processo de recrutamento dos assessores não decorre de acordo com critérios de mérito, mas com o objetivo de “distribuir o poder uns pelos outros”.

O diretor recordou que um assessor tem de ter uma área de especialidade para efetuar assessoria com qualidade junto do ministro ou diretores-gerais. Considera, no entanto, que os recrutamentos têm como intenção distribuir privilégios entre os partidos que governam, que procuram depois assegurar que estes assessores permanecem até ao fim dos mandatos.

“Precisamos de uma lei da Função Pública relativa às assessorias. Se não tem o diploma do secundário, como se pode tornar assessor? Isto é uma surpresa para o público”, disse Daniel Santos aos jornalistas, esta terça-feira (13/10), no seu local de trabalho, em Caicoli.

O dirigente mostrou-se ainda preocupado por, pela primeira vez, Timor-Leste ter um assessor com habilitações ao nível do secundário.

Para o diretor-executivo, os políticos entram no mundo da política “pelo dinheiro e para assegurar a posição uns dos outros”, não pelo desenvolvimento do país.

“O que sei e observo é que os assessores não são escolhidos por mérito, mas por razões políticas”, acrescentou.

Recorde-se que o CNRT levantou, na semana passada, no Parlamento Nacional, a questão de assessores do Ministério da Agricultura e Pescas (MAP) que, com apenas o ensino secundário, auferiam salários de 5 mil dólares.

O ministro da tutela, Pedro dos Reis justificou, entretanto, as contratações com a experiência profissional destes assessores.

“É verdade que existe um senhor que assume o cargo de assessoria, porque era, no tempo indonésio, o chefe de serviço do primeiro nível em pescas e tinha já uma experiência de 30 anos. Também outro, com 40 anos de experiência profissional, frequentou o secundário no tempo português”, afirmou Pedro dos Reis aos jornalistas, a 09 de outubro, à margem de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio do Governo.

O governante desmentiu, contudo, a informação de que os assessores auferem mensalmente 5 mil dólares. (mj2)

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