Ramos Horta: Nicolau Lobato e Xanana “arquitetos de dias históricos para Timor-Leste”

by -293 views

Reportagem de Rosa Garcia

DÍLI (Timor Post) – O diplomata timorense José Ramos Horta considera Nicolau Lobato e Xanana Gusmão os “arquitetos dos dias históricos timorenses”, principalmente do 5 de maio, 30 de agosto de 1999 e o 20 de maio de 2002.

“Nicolau Lobato e o avô Xavi [Francisco Xavier do Amaral] foram os primeiros arquitetos históricos timorenses. Em seguida, Xanana deu, entre 1981 e 1999, continuidade à luta pela libertação nacional, no mato. De Cipinang, na Indonésia, Salemba, promoveu o nome de Timor ao ponto de levar a Indonésia à mesa das negociações até à realização do referendo”, disse Ramos Horta ao Timor Post, esta sexta-feira (05/05), via WhatsApp.

O político lembrou ainda que, em termos diplomáticos, Timor-Leste contou também com o apoio do Estado português na luta pela independência.

“A nossa Frente Diplomática recebeu o apoio de Portugal. Agradecemos a Portugal o seu compromisso e as várias ações diplomáticas. Saudamos também o ex-Presidente indonésio Habibie pela coragem demonstrada em aceitar o referendo em Timor-Leste. Ficamos igualmente gratos a outros países – a Austrália, a Nova Zelândia e os Estados Unidos da América, principalmente ao seu presidente Bill Clinton, – bem como à União Europeia”, afirmou.

“Hoje, neste dia 05 de maio, quero honrar todos os líderes, em particular o grande irmão Xanana. Sei que, sem um líder como ele, uma pessoa visionária, inteligente e corajosa, o referendo poderia não ter ocorrido. Os povos do Sara e da Palestina, por exemplo, ainda não conquistaram até hoje a sua independência”, contou.

Acordo de 5 de Maio

O Nobel da Paz recordou também que o dia 5 de maio foi o dia em que se celebrou o acordo para a realização da consulta popular em Timor-Leste entre Portugal, a Indonésia e a Organização das Nações Unidas (ONU). “Uma conquista alcançada após 24 anos de luta por parte dos combatentes, redes da clandestina, Igreja e Frente Diplomata”.

“O contributo veio sobretudo das pessoas que estavam nas montanhas e em cidades. Também os estudantes timorenses a viverem, na altura, em Bali e Java mobilizaram a opinião pública na Indonésia. Nós, os que estávamos no estrangeiro, exercíamos a nossa missão em termos diplomáticos. Recebemos o mandato de Nicolau Lobato para representarmos a luta timorense no exterior”, recordou.

Segundo Ramos Horta, o Acordo Trilateral de 5 de Maio confirmou “a consciência, honestidade e humildade de cada um dos timorenses para dignificarem a luta heroica” no país.

“Nicolau Lobato morreu no combate. Mais tarde, Xanana liderou a luta, reorganizando a Fretilin e as FALINTIL, período durante o qual a maioria dos nossos combatentes perdeu a vida em combate. Enquanto estive no estrangeiro juntamente com o senhor Agio, Inês Almeida, Abel Guterres e tantos outros promovemos os líderes nacionais, nomeadamente o irmão Xanana e Nino Konis Santana, além da Frente Armada e Rede Clandestina”, afirmou.

De acordo com Ramos Horta, foi, de igual modo, dada ênfase, na Noruega, à participação da Igreja na luta pela libertação nacional.

“A violência que surgiu, em janeiro, foi uma forma de obrigar Portugal e a ONU a retirar-se das negociações, porque muitas vozes alegaram que Timor-Leste não reunia as condições ideais para se tornar independente. Então, queriam adiar as negociações. No entanto, depois de [Portugal e a ONU] se terem encontrado com o irmão Xanana, em Jacarta, ele deu um murro na mesa, rejeitando a proposta. Assim, o processo acabou por avançar. Não podíamos abandonar esta causa só porque houve períodos de violência”, concluiu. (***)

No More Posts Available.

No more pages to load.