Questão da dívida de Timor GAP é uma manipulação política

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DÍLI: O Vice-Chefe da Bancada do Partido Congresso Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) no Parlamento Nacional (PN), Patrocínio Fernandes, revelou que a informação disseminada pelo atual presidente da Timor GAP sobre a dívida desta empresa estatal, num total de quatro milhões de dólares americanos, é uma manipulação política.

Patrocínio prestou esta declaração com base no relatório formal apresentado antes ao PN pela Timor GAP, o qual não mencionava nenhuma dívida desta petrolífera.

“É talvez um problema interno entre os presidentesda Timor GAP, o novo e o cessante. Apenas os dois é que podem responder, pois no documento a que a Bancada do CNRT teve acesso não estava mencionada nenhuma dívida de quatro milhões de dólares”, disse o deputado, esta segunda-feira (28/09), aos jornalistas, no Parlamento Nacional.

Patrocínio referiu ainda que, se houver alguma falha, o novo presidente pode pedir a realização de uma auditoria.

“Se o atual presidente da Timor GAP considerar existirem falhanços [irregularidades] ou dívidas, cabe-lhe pedir uma auditoria para confirmar o caso”, sugeriu Patrocínio.

Recorde-se que na audiência sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020 com as comissões C e D do PN, na passada sexta-feira (25/0)), o atual presidente da Timor GAP António José Loiola informou que, por incapacidade de gestão, a anterior liderança tinha deixado uma dívida de quatro milhões de dólares.

“Ao assumir o cargo, deparámo-nos com um enorme problema. Temos uma dívida de quatro milhões de dólares americanos, enquanto o saldo em caixa é de apenas 250 mil dólares. Isto significa uma incapacidade de gestão da anterior estrutura. Quer dizer que o dinheiro gasto para os consultores foi maior do que as próprias despesas da empresa. Temos de, como tal, tomar medidas rigorosas de modo a melhorar esta situação”, disse António Loiola.

Segundo o presidente, a reestruturação de uma empresa nunca pode depender da “cor política”.

“A Timor GAP ainda não demitiu ninguém nem reduziu o salário do seu pessoal. O presidente e os diretores anteriores ainda recebem os seus salários e os de alguns até são maiores do que o meu. Por ter muitas dívidas, eu próprio reduzi o meu salário”, referiu.

António Loiola acrescentou que, durante a liderança do seu antecessor, a compra de ações pela Timor GAP não foi feita através do Conselho de Administração.

“Como é que uma companhia subsidiária pode levantar um avultado montante sem a aprovação da companhia sede?”, questionou o responsável da Timor GAP. (krs/cas)

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