PRADET alerta para investimento insuficiente em saúde mental

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Díli – O Diretor-Executivo da organização Recuperação Psicossocial e de Desenvolvimento em Timor-Leste (PRADET, em inglês), Manuel dos Santos, considera que o tratamento dado a pessoas com problemas mentais ainda é insuficiente no país e que a discriminação se mantém, inclusive no seio das famílias.

O dirigente explicou que, apesar de esta organização promover o tratamento destes doentes, nem o público em geral nem as próprias famílias valorizam a saúde mental.

 “O esquecimento de pessoas com doença mental ainda é muito grande entre a comunidade. A educação da população é insuficiente e as famílias ainda não dão o devido apoio às pessoas com doenças mentais”, afirmou aos jornalistas, na passada sexta-feira (06/11), no Timor Plaza.

Segundo o diretor, além da falta de apoio, são ainda grandes a discriminação e o uso de palavras pejorativas para os timorenses com problemas mentais.

“Há até quem torture [as pessoas com doenças mentais]”, alertou.

Para contornar o problema, sempre que é possível, a PRADET pede aos utentes desta organização e às unidades de saúde com valências na área da saúde mental que sensibilizem a família, quando regressam a casa.

“Partilhamos também informação junto da família para a reintegração das pessoas com doenças mentais de modo a que estejam atentas às suas necessidades”, afirmou, advertindo que, em alguns casos, após a recuperação do doente, a reincidência destes problemas se pode dever à negligência familiar.

O dirigente apela ainda ao Governo que dê mais apoio aos serviços de saúde mental, apostando, entre outras áreas, em campanhas de sensibilização e em recursos humanos especializados.

“O Governo precisa de investir muito, sensibilizando sobretudo a comunidade e investindo nos profissionais, nomeadamente nos postos e centros de saúde”, sugeriu.

Também Anacleto Guterres, enfermeiro na área da saúde mental num centro de saúde de Díli, confirmou a insuficiência de recursos humanos neste domínio.

“Os profissionais da saúde são insuficientes. Felizmente, temos organizações como a PRADET e KLIBUR DOMIN [Centro de Laclúbar], entre outras, que trabalham na área da saúde mental”, concluiu.

Recorde-se que, de acordo com dados de junho de 2020 do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde, registaram-se em Timor-Leste, entre 2005 e o ano passado, 2015 casos de doenças mentais. (res)

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