Oposição: Cesta Básica “é uma política para enganar o povo”

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Díli – Os partidos da oposição no Parlamento consideram que o programa Cesta Básica do atual Governo “constitui uma política para enganar o povo”.

A declaração surgiu durante a audiência entre os deputados e o Ministro Coordenador dos Assuntos Económicos, Joaquim Amaral, nesta segunda-feira (09/11), no Parlamento Nacional.

“É muito interessante. Afinal, a nossa população não escova os dentes! O Governo dá-lhe, por isso, agora a pasta de dentes e oferece também aos katuas [avós] milho que vão ter dificuldade em comer”, afirmou a deputada do Conselho Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) Maria Fernanda Lay.

A parlamentar pediu, como tal, ao Executivo que considerasse as necessidades e condições reais da população, antes de atribuir qualquer apoio.

“Este acontecimento poderá ser uma lição para que no futuro melhoremos [o programa], dignificando e considerando, deste modo, todas as condições atuais do nosso povo, quando lhe queremos atribuir bens de primeira necessidade”, apelou.

Maria Lay mostra-se ainda apreensiva com a coordenação entre as instituições que fazem parte da implementação do programa Cesta Básica.

“Estou preocupada com o pagamento [do subsídio] de 200 dólares, que precisa ainda de ser finalizado. Disseram que seria concluído neste mês, mas não sei. Será que sim ou não? O programa Cesta Básica está também com problemas”, disse.

O deputado do Partido Democrático António da Conceição ‘Kalohan’ defendeu, por sua vez, que a Cesta Básica é oportuna, mas, “ao nível do desenvolvimento, não é estratégica”.

“Para mim, esta situação obriga a que o povo confie no Governo, deixando-lhe na memória alguns atos governativos, pois, desde 2018, o país tem estado a gatinhar. Em vez de ajudarmos a população, transformamo-nos numa búfala e o povo anda à procura do nosso leite”, afirmou.

O parlamentar mostrou-se igualmente reticente em relação à implementação e ao aprovisionamento do programa em causa.

“Senhor ministro, pode ou não assegurar a implementação deste apoio só em novembro e dezembro? Será possível ao senhor conduzir uma camioneta para ir até às aldeias e sucos para distribuir as cestas? Se não conseguir, haverá justiça? E, se não for finalizado neste ano, como será o seu aprovisionamento?”, questionou.

Já o Vice-Ministro do Comércio e Indústria, Domingos Lopes Antunes, revelou, por seu turno, que, segundo as informações, o apoio não chega a algumas pessoas.

O governante recordou ainda que a Cesta Básica tem um valor de 50 dólares americanos e é atribuída a todas as famílias numa só fase.

“O valor do apoio não é apenas de 25 dólares, mas sim 50 e é atribuído de uma só vez, pois não temos recursos para fazer duas vezes a sua distribuição”, concluiu. (jho/jry)

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