Morte de professor português – TL perde profissional dedicado “de corpo e alma”

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DÍLI- Timor-Leste perdeu um professor que se dedicava de “corpo e alma” ao trabalho no país. Carlos Martins Vintém, de 63 anos, conhecido como Cabé, era professor português do 1.º ciclo do ensino básico dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) e faleceu ontem na ambulância que o transportou de Maubisse para o Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), em Díli.

Chegou a Timor-Leste em 2013. Viveu cinco anos em Maliana, onde foi por dois anos coordenador dos CAFE, e dois anos em Oé-Cusse. Este ano letivo estava em Ainaro.

Uma amiga do professor destaca a dedicação de Carlos e a envolvência com os timorenses.

“Era um excelente profissional, acarinhado por todos os timorenses e colegas portugueses. Dedicou-se de corpo e alma ao projeto [CAFE]. Estava culturalmente integrado em Timor”, afirmou à jornalista do Timor Post, esta quarta-feira (11/03).

De acordo com a mesma fonte, o professor era “incansável e estava sempre pronto a apoiar os timorenses”.

“Sereno, alegre bem-disposto, amigo, colaborador e excelente profissional. Deixou marcas significativas em Timor, que ficarão para sempre. Divulgou a língua portuguesa, formando alunos, professores, funcionários públicos, com um empenho e dedicação inigualáveis. Foi amigo para os timorenses em geral e um mestre para os alunos”, afirma.

A amiga conta ainda a paixão que tinha por Maliana, onde “vivia feliz com a sua companheira”, também educadora portuguesa.

“Este foi sempre o seu município predileto, mas também conquistou Oé-Cusse e com o Oé-Cusse ficou encantado”, afirma.

Também Ana Fátima da Cunha, timorense residente em Maliana e proprietária da casa que o professor alugou durante cinco anos, relembra a preocupação de Carlos com as crianças.

“Era boa pessoa. Estava sempre alegre e gostava de brincar com as crianças. Era muito compreensivo. Lembrar-me-ei para sempre da mensagem do professor, antes de sair de Maliana, em que me pediu para cuidar dos meus filhos”, conta.

Também Ana Fátima confirma a dedicação e boa relação do professor com a comunidade de Maliana, sobretudo com os vizinhos.

Causas da morte ainda incertas

Ana Paula Marquês, companheira de Carlos, conta que o professor não tinha problemas de saúde antes de chegar a Timor-Leste.

“Veio de Portugal há uma semana e estava bem. Começou a doer-lhe a barriga e a ter diarreia. A partir daí, tudo se complicou. Foi tudo muito rápido, de um dia para o outro. Começou na segunda à tarde. Na terça-feira, levámo-lo para o centro de saúde de Ainaro e medicaram-no. Mas estava muito cansado e sem forças”, disse.

“Achámos que era grave e levámo-lo então para Maubisse. Durante a viagem começou a ter mais queixas, com dores no corpo e começou a não conseguir respirar. Chegámos a este hospital e foi logo atendido por toda a equipa médica. Monitorizaram-no e viram que estava com um problema nos pulmões. Tinha um coágulo numa veia, além de uma infeção causada pela diarreia”, acrescenta.

Face à gravidade do estado de saúde, os médicos optaram pela transferência para o HNGV, onde, segundo o Chefe de Departamento do Banco de Urgência, Custódio de Jesus, chegaria já sem vida.

“Recebemos o paciente português, mas já sem vida. Sabemos que o professor teve problemas cardíacos e deverá ter morrido [durante a viagem] em Aileu”, afirmou.

A companheira diz ainda não ter informações sobre a trasladação, mas aguarda-se a autópsia. (isa)

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