Mais de 78 mil grávidas registadas no LigaInan

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DÍLI- Mais de 78 mil grávidas de todos os municípios estão registadas no Liga Inan, revelou o Diretor deste programa da Aliança Internacional de Saúde (HAI, em inglês), Paulo Vasconcelos.

“Recebemos orientações desde dezembro do ano passado e registámos mais de quatro mil grávidas. Até fevereiro, registaram-se 78.099 em todas unidades de saúde dos 12 municípios e na RAEOA, sendo que 40.846 deram à luz”, afirmou, no âmbito do lançamento deste programa, em Díli.

Paulo Vasconcelos mostrou-se satisfeito com a implementação deste programa, que consiste no contacto, nomeadamente através de mensagens de telemóvel, das grávidas por parte dos profissionais de saúde em todo o território.

“Conseguimos implementar este programa em todos os municípios, o que constitui um sucesso nosso. Nunca deixámos nenhuma grávida para trás. Por exemplo, em Díli, não conseguimos no ano passado levar a cabo [as atividades], mas agora estas mães já participam no programa”, acrescentou.

O dirigente mostrou-se, contudo, preocupado com algumas grávidas não fazerem tratamento após o registo nos centros de saúde.

“Se uma grávida trocar de número, perdemos totalmente o contacto, o que representa um desafio para nós”, salientou.

Já o Vice-Ministro da Saúde, Bonifácio Maukoli dos Reis, recordou que o Liga Inan contribui para as metas estabelecidas no Plano Estratégico de Desenvolvimento até 2030 ao nível da saúde materno-infantil.

“Este programa requer uma implementação compreensiva, integrada e antecipada. Pretende-se melhorar os cuidados de saúde pré-natal, no parto e pós-natal. No âmbito dos cuidados de saúde primária, as grávidas têm de fazer, pelo menos, quatro consultas. Queremos também um planeamento familiar com maior qualidade”, disse.

Segundo o governante, é também necessário prestar atenção aos cuidados de emergência obstétrica, reconhecendo precocemente as complicações na gravidez.

“É preciso melhorar o conhecimento de cada família na questão dos cuidados materno-infantis, aprofundar a gestão estatística e o sistema de informação ao nível das unidades de saúde. É ainda necessário capacitar os profissionais de saúde através de formação formal, contínua e de reciclagem para atualizarem e contextualizarem os conhecimentos relacionados com a saúde materno-infantil”, acrescentou.

Quanto ao planeamento familiar, o vice-ministro recordou que, de acordo com os resultados da pesquisa demográfica do Ministério da Saúde, a taxa de fertilidade continua elevada, apesar de se ter registado uma redução de 7,8% em 2003, de 5,7% em 2009 e 2010 e de 4,2% em 2016.

O governante mostrou-se também preocupado com a taxa de mortalidade infantil.

“Segundo os resultados da pesquisa demográfica de saúde de 2016, o rácio de mortalidade infantil era de 195 por 100 mil nados vivos. Este indicador mostra que a mortalidade ainda se mantém”, disse.

Bonifácio Maukoli dos Reis Amaral relembrou que, de acordo com esta pesquisa, há uma melhoria na cobertura dos cuidados materno-infantis, que abrangem já 84% das mulheres.

O Embaixador da Austrália em Díli, Peter Roberts, elogiou, por sua vez, o trabalho do  Liga Inan.

“Este programa pretende ajudar as grávidas a comunicarem com os profissionais de saúde. É muito simples. Não é necessário fazerem carregamentos, podendo usar apenas [gratuitamente] o telemóvel”, disse.

Peter Roberts recordou que a Austrália trabalha em parceria com o Ministério da Saúde e outras entidades relevantes como a HAI.

Segundo o diplomata, desde 2015, o Governo australiano financiou com sete milhões de dólares este programa. (isa)