‘Lú Olo’ preocupado com entradas ilegais na fronteira

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DÍLI- O Presidente da República (PR), Francisco Guterres ‘Lu-Olo’, mostrou-se, no âmbito da covid-19, preocupado com a movimentação ilegal de pessoas nas linhas fronteiriças terrestres com a Indonésia.

Na sequência destas entradas ilegais, o presidente reuniu-se, esta quinta-feira (10/09), com o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, o Vice-Primeiro Ministro, Ministro da Defesa e Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação para discutirem a questão.

“O Presidente da República e o Governo discutiram a movimentação ilegal de pessoas que, ultimamente, têm entrado e saído do território. Em discussão estiveram medidas que visam conter o impacto de uma eventual transmissão da covid-19 na nossa sociedade. As pessoas que entram e saem ilegalmente podem trazer consigo doenças. Esta situação deixa claramente preocupado o presidente”, disse o Chefe da Casa Civil, Francisco Maria Vasconcelos, aos jornalistas, esta quinta-feira (10/09), após o encontro, no Palácio presidencial, no Bairro Pité.

Segundo Francisco Vasconcelos, no final do encontro, concluiu-se que o Governo deverá envidar todos os esforços para assegurar as operações de vigilância junto à fronteira de modo a que as pessoas que entram e saem possam cumprir a quarentena e evitar o contágio do vírus da covid-19.

O Chefe da Casa Civil afirmou também que o Governo vai aplicar todas as regras segundo as normas decretadas pelo Chefe de Estado durante o estado de emergência.

‘Somotxo’ questiona conduta de forças de segurança

Questionado sobre a entrada e saída ilegal de pessoas na fronteira, o Presidente da Comissão B que trata dos Assuntos de Defesa e Segurança, José Agostinho Siqueira ‘Somotxo’, disse que este cenário ocorre com frequência por desleixo e consentimento do próprio pessoal de segurança destacado na zona fronteiriça.

“A entrada e saída de pessoas junto à fronteira terrestre significam que os nossos elementos ali destacados recebem suborno”, disse.

‘Somotxo’ afirmou de igual modo que, se as autoridades de segurança assumem esta conduta desleal, estão a desrespeitar os deveres e suas obrigações.

“Se as forças de segurança têm esta postura incorreta, claro que deitam por terra os seus deveres e obrigações no que toca a assegurar a vigilância da zona fronteiriça”, referiu.

Segundo ‘Somotxo’, para impedir que semelhante comportamento possa de novo ocorrer, o comando necessita de proceder à rotação dos elementos destacados na fronteira a cada três meses.

O presidente da Comissão B afirmou ainda que para evitar a passagem ilegal de pessoas na linha fronteiriça, será necessário instalar câmaras de videovigilância nos postos militares e da polícia, além de operações de patrulhamento.

O Deputado da Bancada da Fretilin, Fabião de Oliveira, disse, por sua vez, que os elementos da PNTL e das F-FDTL destacados na fronteira devem garantir o controlo rigoroso dos cidadãos que entram e saem ilegalmente.

“O Estado já decretou o estado de emergência, impondo principalmente restrições na fronteira terrestre, pelo que cabe às forças da UPF e das F-FDTL cumprirem as operações de vigilância”, afirmou.

Cumprimento da quarentena

Já a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC), Adaljiza Magno, pediu a todos os cidadãos que entram no país pela fronteira terrestre que cumprissem a quarentena obrigatória.

“O Governo faz um apelo a todos vocês para que entram ilegalmente no país. Caso contrário, teremos transmissão local”, disse.

Adaljiza acrescentou que existe uma sólida coordenação bilateral entre os dois países, sublinhando que o cônsul timorense em Kupang continua a registar todos os cidadãos que entram e saem na zona fronteiriça entre a Indonésia e Timor-Leste e lembrando que a fronteira de Mota Ain abre uma vez a cada 17 dias, enquanto o transporte de mercadorias é efetuado semanalmente às quartas-feiras. (yto/jry/ho)