Lú Olo’ pede lei que regule gestão do Fundo dos Veteranos

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Díli – O Presidente da República, Francisco Guterres ‘Lú Olo’, pediu, nesta terça-feira (03/03), no âmbito da comemoração do Dia dos Veteranos, que se criasse legislação para regular a gestão do Fundo dos Veteranos.

‘Lú Olo’ destacou a importância do primeiro Congresso Nacional, em dezembro de 2019, dos Combatentes da Libertação Nacional das Três Frentes e recordou que tinha nesse evento pedido bases legais para regular este fundo.

“Isto significa que terá que ser aprovado um decreto-lei que defina uma política para este fundo que regule a gestão do mesmo e que identifique claramente o responsável pela gestão, o local onde será mantido o fundo, o método de cobrança, o valor cobrado a cada contribuinte, como obter retorno, como atribuir os benefícios e em que situações, e que tipo de benefícios a atribuir aos filhos e netos destes ex-combatentes”, defendeu, no Palácio do Governo, em Díli.

‘Lú Olo’ considera ainda necessária uma sede que permita ao Conselho dos Combatentes da Libertação Nacional trabalhar.

“Quero aqui afirmar também que as Organizações dos Veteranos precisam de ter uma sede onde o Conselho dos Combatentes da Libertação Nacional possa funcionar. Já abordei o Sr. Primeiro Ministro sobre este assunto e o Sr. Primeiro Ministro garantiu que iria tratar desta situação”, disse.

O Presidente lançou ainda três apelos. Um dos pedidos foi que se procedesse “com toda a brevidade à gravação da história de cada um dos combatentes que hoje ainda estão vivos, tendo em conta que muitos já faleceram desde a independência. A morte de um combatente constitui a perda de parte da nossa história coletiva”.

Um segundo apelo prendeu-se com a necessidade de se ajudar a “educar” os cidadãos “para o respeito pela Constituição da RDTL e a alimentar os valores e princípios da luta pela libertação nacional”.

‘Lú Olo’ pediu, por fim, que o Governo desenvolvesse com rapidez o turismo histórico.

Presidente recorda luta e combatentes

Recordando, no seu discurso, a história da libertação nacional, o Presidente da República lembrou também os fundadores deste movimento, dando destaque a Mari Alkatiri, José Ramos Horta e Xanana Gusmão.

 “Quero expressar, em especial, o nosso reconhecimento aos fundadores do movimento pela Independência e Unidade Nacional que ainda estão entre nós, o Dr. Mari Alkatiri e o Dr. Ramos-Horta, bem como ao líder principal da reorganização da luta pela libertação nacional em 1981, o Comandante das FALINTIL, o Sr. Xanana Gusmão”, afirmou.

‘Lú Olo’ não esqueceu, contudo, o contributo de outros combatentes.

“Transmito ainda aos combatentes da libertação nacional, homens e mulheres, conhecidos e desconhecidos, o reconhecimento profundo do Estado pelo seu contributo, através dos seus atos, grandes ou pequenos, na Frente Armada, Clandestina e Externa/Diplomática”, disse.

“Hoje, neste local de significado histórico, peço a todos que se curvem perante a memória dos heróis e mártires, homens e mulheres. Dado que se trata de uma lista extensa, menciono apenas alguns nomes: Presidente Nicolau Lobato, Rosa Muki, Borja da Costa, Maria Tapó, Vicente Sa’he, Soimali, Maria Goretti Joaquim, Hodu Ran Kadalak, Sabalae, David Alex e Nino Konis Santana”, acrescentou.

‘Lú Olo’ recordou igualmente o seminário, realizado esta segunda-feira (02/03) subordinado ao tema “Memória de 1974-1999 para as gerações atuais e futuras” por considerar que é necessário lembrar a história sobre a  luta de libertação nacional iniciada em 1974 e “inspirada pela luta isolada dos nossos antepassados contra o colonialismo português e pelo trabalho de um pequeno grupo de nacionalistas clandestino na consolidação da consciência nacionalista, antes de 25 de abril de 1974”.

O Chefe do Estado referiu, da mesma forma, a importância dos símbolos da organização dos veteranos e da unidade nacional.

“Hoje, no Dia dos Veteranos, estamos perante símbolos que representam a forma como nos organizámos como combatentes nacionalistas. A bandeira e estes símbolos representam as várias formas de organização que assumimos durante um período de afirmação do nacionalismo e da unidade nacional”, afirmou.

“A iniciativa de expor símbolos históricos neste evento contribui também para reavivar a memória do passado e mostrar às gerações de jovens e crianças a forma como a geração de guerrilheiros se organizou e organizou o povo até ao Referendo de 1999. O referendo foi um ato político através do qual o povo de Timor-Leste assumiu com coragem terminar a guerra com a vitória da opção da Restauração da Soberania”, insistiu. (isa)

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