Jovens do Timor Furak apoiam CDI-TL com angariação de fundos

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DÍLI- Jovens do grupo Timor Furak realizaram, este sábado (24/10), uma feira e um concerto no Timor Plaza para uma angariação de fundos de modo a que o Centro de Desenvolvimento Inclusivo em Timor-Leste (CDI-TL) reabilite as instalações, adquira mobiliário e equipamentos e crie acessibilidades para as pessoas com deficiência física.

“Queremos obter alguns fundos para apoiar o Centro de Desenvolvimento Inclusivo em Timor-Leste. Este centro situado em Becora debate-se com problemas com o edifício. Queremos criar também acessibilidades para as pessoas com deficiência física de modo a que possam circular com cadeira de rodas. Além disso, procuramos adquirir computadores, impressoras, mesas e cadeiras”, afirmou o Coordenador do grupo Timor Furak, Olívio dos Santos, no Timor Plaza.

A feira contou com peças de artesanato de cidadãos com deficiência e uma das fontes de angariação de verbas foi a venda de bilhetes para o concerto, no valor de 100 dólares americanos.

“Conseguimos vender 20 bilhetes e obtivemos 2 mil dólares americanos. Em conversa com o Diretor do CDI-TL, concluímos que são suficientes para comprar estes materiais. No entanto, houve também quem apoiasse com computadores e impressoras”, acrescentou.

Olívio dos Santos destacou ainda a necessidade de realizar este evento para que os portadores de deficiência possam mostrar o seu talento.

 “Apoiamos apenas o Centro de Desenvolvimento Inclusivo em Timor-Leste, uma organização para deficientes, de modo a que possam criar um espaço e mostrar as suas competências e talento. Somos jovens ligados à arte e cultura e queremos abrir as portas às pessoas com deficiência para que mostrem o seu talento ao público, nomeadamente no Timor Plaza, e aprofundem os conhecimentos para que ninguém se deixe ficar para trás. Os deficientes também podem”, afirmou.

Também o Diretor do CDI-TL, Martinho Guterres, referiu a importância da mostra de talento dos deficientes através do artesanato.

“Esta atividade tem como objetivo promover as competências e o artesanato feito pelos nossos deficientes. Além disso, permite arrecadar alguns fundos para responder às necessidades da organização”, disse, referindo ainda a importância da angariação de fundos para o centro

“Temos pouco mobiliário, computadores e recursos financeiros. Estes são os principais problemas que enfrentamos e não nos permitem pôr em prática os nossos planos”, acrescentou.

O dirigente recordou também que já enviou algumas propostas à Embaixada de Portugal em Díli e à Mulheres das Nações Unidas para apoios relacionados com a formação em arte, cultura, música, vídeo e filme, mas também para defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Recorde-se que o CDI-TL dá apoio a 60 pessoas com deficiência, nomeadamente através de formação em braille para invisuais, e promove atividades de artesanato para venda.

Centro Botir Matak promove artesanato entre os timorenses com deficiência

Também o Centro Botir Matak, em Bebonuk, em Comoro, promove o artesanato entre os timorenses com deficiência, oferecendo gratuitamente formação nesta área, não só aos beneficiários do CDI-TL como a muitas outras pessoas com outros tipos de deficiência, nomeadamente mental.

“Queremos promover o talento das pessoas com deficiência, inclusive das que têm problemas mentais e não foram à escola. Damos formação gratuita aos deficientes, ao contrário do que acontece com os estudantes sem deficiência, nomeadamente da Escola Internacional e Escola Portuguesa de Díli, que têm de pagar 10 dólares americanos por hora”, disse a voluntária Natália da Silva, este sábado (25/10), à margem da feira e concerto para angariação de fundos de apoio ao CDI-TL.

Segundo a voluntária, o centro pretende dar ferramentas a estas pessoas com deficiência para que possam viver do artesanato. A formação tem uma duração de três meses e já vários formandos obtiveram certificados.

Além do apoio aos timorenses com deficiência, este centro promove a reutilização de garrafas recolhidas nos restaurantes ou em outros locais para que se possa reduzir o lixo no país.

Recorde-se que, como revelam os Censos de 2015, mais de 25 mil timorenses com deficiência, uma percentagem superior a 67%, nunca tiveram oportunidade de estudar

Apesar de terem sido criados apoios, a atenção do Estado aos portadores de deficiência é ainda reduzida. Os subsídios para deficientes só chegam aos maiores de 18 anos ou às crianças que frequentam a escola.

Não foi ainda ratificada a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que inclui princípios como a dignidade, igualdade e não discriminação e que define as obrigações gerais dos Governos relativas à integração da deficiência nas suas políticas e à sensibilização da sociedade, ao combate aos estereótipos e à valorização dos deficientes.

Está em vigor, desde 2012, a Política Nacional para a Inclusão e Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, mas a sua implementação não é consistente, como refere um artigo de 2016 da Associação de Deficientes de Timor-Leste (ADTL), apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. (isa)

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