Jornalistas e órgãos de comunicação social timorenses investem na língua portuguesa

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DÍLI- O interesse dos órgãos de comunicação social timorenses pela língua portuguesa está a aumentar, como demonstram o crescente número de conteúdos informativos publicados nesta língua e a adesão dos jornalistas aos cursos do “Consultório da Língua para Jornalistas” (CLJ), um projeto de cooperação entre o Camões I.P e a Secretaria de Estado para a Comunicação Social, executado pelo Centro de Formação Técnica em Comunicação.

Vinte e cinco profissionais de diferentes órgãos de comunicação social frequentam atualmente, no âmbito do projeto, uma formação de língua portuguesa dos níveis A1/A2 (básico), que teve início esta segunda-feira (01/03).

“Este ano, vão ter lugar várias formações de Português para Jornalistas. Teremos duas turmas de A1/A2 e de nível intermédio B1 e B2+. Os cursos integram agora a segunda fase do projeto.

Continuaremos em 2022 a promover mais formações e o projeto contará com mais formadores de português”, disse a Coordenadora-Adjunta do CLJ, Cláudia Taveira, em declarações à jornalista do Timor Post, esta sexta-feira (05/03), em Bebora, Díli.

Cláudia Taveira sublinhou que, embora tenha havido um número elevado de inscrições por parte dos jornalistas, alguns terão de aguardar pelo próximo curso. Mostra-se também satisfeita com a adesão dos formandos provenientes de diversos órgãos de comunicação social, públicos e privados, a estes cursos de português para fins específicos.

“Os jornalistas timorenses querem agora investir na língua portuguesa, como testemunha a grande adesão aos cursos. Já na primeira fase do projeto se tinham notado mudanças. Recordo que antes havia apenas notícias em português na RTTL e uma ou duas no Timor Post”, lembrou.

A coordenadora-adjunta apontou ainda alguns exemplos relacionados com o crescimento do número de notícias publicadas diariamente em português, na Tatoli, Timor Post ou no jornal Semanário do Grupo Media Nacional (GMN), além da Rádio Televisão de Timor-Leste (RTTL).

“Recebemos também solicitações de outros órgãos de comunicação social, que querem produzir informação em português. No que toca à língua portuguesa, atuamos em duas dimensões. Uma na formação geral dos jornalistas e outra no apoio direto às redações e aos formandos que escrevem nesta língua, além dos revisores linguísticos”, sublinhou.

O projeto conta atualmente com quatro formadores de português, sendo que dois apoiam diretamente as redações e os revisores linguísticos timorenses. Os restantes professores lecionam cursos de formação de Português para Jornalistas.

“O CLJ contará também, este ano, com dois formadores de Jornalismo, que ministrarão formação técnica aos profissionais de comunicação social, no momento em que os formandos concluírem o nível intermédio de português”, acrescentou.

Segundo a responsável, nesta segunda fase e até 2023, farão parte do projeto sete formadores de Português para Jornalistas e dois de Jornalismo. O projeto contará também com seis revisores linguísticos timorenses e 20 futuros jornalistas, que, após uma formação intensiva de 13 meses em Português, Fundamentos do Jornalismo e Jornalismo, trabalharão nas secções de Português de diversas redações.

A Chefe da Redação do Timor Post, Rosa Garcia, referiu, por sua vez, a importância da aprendizagem de várias línguas, nomeadamente do português, para a edição das notícias.

“Apesar de contratarmos tradutores, é fundamental que os gestores e profissionais dos órgãos de comunicação social aprendam e adquiram mais conhecimentos sobre a língua”, acrescentou.

Rosa Garcia destacou, por outro lado, o papel que a língua portuguesa desempenha nas notícias escritas em língua tétum.

“O Timor Post participou ativamente desde o arranque do projeto do CLJ. Eu própria fui beneficiada ao ter frequentado os diferentes níveis promovidos por este projeto. Temos um número reduzido de palavras em tétum, o que nos obriga a usar termos em português”, disse.

Segundo a responsável, os jornalistas do Timor Post têm de frequentar as formações de língua portuguesa para adquirirem novos conhecimentos e fazer uso dessa língua no local de trabalho.

“Estes cursos são totalmente gratuitos. Os professores demonstram uma boa capacidade de ensino. Somos o resultado desta formação. Conseguimos não apenas compreender como ainda falar e escrever nesta língua”, acrescentou.

A chefe da redação destacou também o facto de os leitores terem elogiado as notícias em português no jornal e em versão em linha do Timor Post, o que significa que se registaram progressos no domínio desta língua.

“No Timor Post, a diretora-executiva, ex-diretora e os restantes funcionários querem todos participar nos cursos de formação por trazer evidentes benefícios. Pedi, por isso, ao CLJ que fosse aumentado o número de professores bem como de salas de aula para que todos possam ter acesso às formações”, acrescentou.

Margarida Henriques, formadora do CLJ, destaca igualmente o empenho dos jornalistas na aprendizagem da língua portuguesa.

“Temos recebido muitas inscrições, o que nos obrigou a adiar a frequência dos cursos destes formandos para maio. São formandos muito empenhados e participativos. Demonstram um grande interesse em melhorar as suas competências em língua portuguesa”, sublinhou.

Também Marcelino Bata, um formando do Oé-Cusse Post, destacou a importância da aprendizagem da língua portuguesa para a melhoria da escrita das notícias.

“Quero participar na formação de língua portuguesa, porque é uma das línguas oficiais de Timor-Leste. Tenho, por isso, de aprender e compreender bem esta língua. Quero ganhar novas competências para mais tarde poder educar os nossos leitores através das nossas notícias”, afirmou.

O CLJ tem como objetivo promover a transmissão de informação fidedigna em português. Na primeira fase do projeto, entre 2016 e 2020, melhoraram as competências de português 211 jornalistas e profissionais do Governo. Foram também publicadas, com apoio do projeto, cerca de 14 mil conteúdos informativos em língua portuguesa. (isa)

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