Horta pede que seja “bem ponderada” substituição do Chefe Negociador das Fronteiras Marítimas

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Manatuto – O Nobel da Paz José Ramos Horta pediu, nesta quarta-feira (29/07), ao Governo que fosse bem ponderada a substituição de Xanana Gusmão como Chefe Negociador Principal para a Delimitação das Fronteiras Marítimas, “caso contrário, poderão pôr-se em risco outras negociações a serem realizadas com os países vizinhos”.

“O irmão Xanana tem muita influência na Indonésia, Austrália e China. É um político respeitado mundialmente. Caso coloquemos outra pessoa [nessa posição], acho que terá dificuldades até para  se encontrar apenas com alguns ministros da Indonésia. Contudo, com Xanana, não. Pode marcar reuniões a qualquer hora com Jokowi, por exemplo. Se quiser agora mesmo, o convite será de imediato aceite. Isto trata-se de diplomacia e de política internacional”, disse Horta aos jornalistas, numa apresentação de um projeto sobre mármore, no Suco de Ilimano, em Manatuto.

Horta tem reservas sobre a capacidade de negociação de outros timorenses em projetos que envolvam vários países.

“Como é que uma pessoa nova pode fazer negociações com companhias de grande dimensão e força no mundo? Isto não se trata de uma abertura de um restaurante ou negócio ou uma fábrica em Timor”, referiu.

“As companhias norte-americanas, por exemplo, são até ouvidos pelo seu Presidente. Então, se quisermos fazer uma negociação com eles, devemos ter autoridade política e experiência internacional”, acrescentou.

Ramos Horta apelou ainda ao Governo que mantivesse a participação dos técnicos que se envolveram nas negociações da delimitação das fronteiras marítimas.

“Este Governo terá apenas um mandato de dois anos. Se eu fosse o Primeiro-Ministro, seria melhor não mexer nestas pessoas, pois os que estão a tratar das fronteiras marítimas, como as autoridades petrolíferas, a Timor Gap, fizeram já um grande estudo. Estes timorenses exercem as suas funções com profissionalismo e com total independência”, alertou.

Segundo Ramos, estes profissionais são da área petrolífera e mineira, conhecem bem o mundo e têm várias experiências relativas a esta questão.

“Graças à sua experiência conhecem o mundo. Se quiserem trabalhar nas companhias americanas ou australianas, vão ser de imediato recebidos. Então, temos de ponderar bem este assunto”, insistiu.

O Timor Post tentou, nesta quarta-feira (29/07), abordar o assunto junto do Vice-Primeiro-Ministro, José Reis, mas o governante escusou-se a dar comentários.

Já o Presidente da Bancada do Conselho Nacional de Reconstrução Timorense (CNRT), Duarte Nunes, disse que cabe ao Governo decidir a questão.

“Vocês [jornalistas] podem questionar o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak. A decisão está nas mãos do Executivo, mas o que é melhor para este país é a vinda do gasoduto para Timor”, defendeu Duarte Nunes aos jornalistas, nesta segunda-feira (27/07), no Parlamento Nacional.

Questionado sobre as informações vindas a público de que Agio Pereira poderá suceder a Xanana neste cargo, Duarte disse que o CNRT “não tomará nenhuma posição”.

“Claro que pode. Não vamos tomar nenhuma posição, pois é a decisão do Executivo”, concluiu. (mj3/jry/kyt).

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