HIAM: Alimentos distribuídos nas cestas básicas pobres em nutrientes

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DÍLI- As empresas contratadas pelo Governo distribuíram nas cestas básicas alimentos pouco nutritivos e variados, afirmou a fundadora da organização Hamutuk Ita Ajuda Malu (HIAM), Rosária Martins da Cruz.

“Estes produtos não preenchem totalmente os critérios de nutrição. Por que razão distribuíram produtos com os mesmos valores nutricionais, como o milho e o arroz, alimentos que servem só para dar força?”, questionou esta quinta-feira (28/01) Rosária Martins, em Aimutin, Díli.

Segundo a responsável, além da pobreza nutricional, houve também uma distribuição desigual dos produtos, dando como exemplo os alimentos distribuídos em Tíbar.

“Verificou-se discriminação. Algumas pessoas receberam produtos alimentares diferentes. Quando cheguei a Tíbar e questionei a população sobre este assunto, alguns habitantes responderam que não receberam os produtos tal e qual como os distribuídos pelo Lider”, afirmou.

“Vi que só tinham café arábica, leite condensado e arroz, que não chegava aos cinco quilogramas. Devia ter apenas uns três quilos. Tinha também açúcar, farinha de milho. Nada de ovos, sabonetes ou detergente. Contudo, a população de Aileu recebeu ovos. Se estes produtos alimentares forem para uma semana, não são suficientes”, acrescentou.

A fundadora da ONG dá como exemplo de produto nutricionalmente pobre e que afeta a saúde o leite condensado.

“Discordo totalmente da atribuição de leite condensado. Peço que não se importe mais este leite para Timor-Leste. É melhor barrar a entrada deste produto. O Governo deve identificar os produtos alimentares com uma boa composição nutricional”, apelou.

Para Rosália, além da pobreza nutricional dos produtos alimentares, está também em causa a qualidade.

“Foi igualmente distribuído feijão com caruncho. Queremos melhorar a nutrição do povo e devemos dar-lhe alimentos que o protejam. Por que não foram entregues diretamente 25 dólares à população?”, lamentou.

A responsável lança igualmente críticas à falta de fiscalização por parte do Parlamento Nacional.

“Nunca vi o Parlamento Nacional fiscalizar os locais onde fazem a farinha de milho. O Parlamento devia fiscalizar as empresas que produzem farinha de milho para ver a qualidade do milho ou se existe caruncho”, criticou.

Rosália Martins da Cruz acrescentou que a maioria das pessoas não sabe cozinhar farinha de milho, sendo esta oportunidade importante para formar as pessoas em questões de nutrição.

“Não queremos que o nosso povo morra com 40 anos, 30 anos e 17 anos devido à alimentação. Precisamos de ensinar a nossa população a alimentar-se de forma nutritiva”, concluiu. (isa)

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