Governo diz valorizar críticas de empresário Rui Castro sobre reflorestação no país

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Díli- O Ministério da Agricultura e Pescas diz valorizar as críticas de Rui Castro relativas à política de reflorestação no país.

O Vice-Ministro da Agricultura e Pescas, Abílio Xavier de Araújo, disse que o ministério tem uma “política aberta”, o que permite a todos os cidadãos timorenses e estrangeiros expressarem as suas ideias.

“O Ministério da Agricultura e Pescas aprecia as ideias, pois podem motivar os governantes a prestarem atenção ao desenvolvimento e a servirem o país e o povo”, afirmou ao Timor Post, na segunda-feira (23/11), em Fatuhada.

Abílio admitiu que a aposta na reflorestação não tem sido consistente.

“O investimento na reflorestação por parte do Ministério do Comércio e Indústria e da Conservação Internacional não teve continuidade e produtividade máxima”, reconheceu.

O governante garantiu, contudo, que o ministério planeia, em 2021, verificar as condições da floresta, podendo substituir as árvores mortas do período da seca.

O vice-ministro disse ainda que o ministério tem planos para todos os municípios e o Oé-Cusse, mas dará prioridade a Díli.

“Identificámos duas áreas na capital, a zona de João Paulo II, em Tasi Tolu, e o Cristo Rei, e investiremos lá em árvores com qualidade”, disse.

O governo referiu, por fim, que uma equipa do ministério está a identificar e analisar o solo para que estas árvores se possam desenvolver.

Recorde-se que o empresário timorense Rui Castro endereçou duras críticas ao Governo timorense e às Organizações Não Governamentais (ONG) internacionais ligadas às atividades de reflorestação ou de plantação de árvores em Timor-Leste.

Rui teceu estas críticas no âmbito da sua participação numa sessão de discussão, realizada no passado sábado (21/11), no Centro de Convenções de Díli.

Segundo o empresário, da sua observação feita ao longo de quase 20 anos da independência, houve inúmeros programas levados a cabo pelo Governo e por ONG internacionais relativos à política de reflorestação que ficaram muito aquém daquilo que se esperaria.

“Muitos mangues plantados por ONG em Tíbar e à beira mar, mas também outros tipos de árvores plantadas nas colinas nas proximidades de Díli e ao redor da estátua de S. João Paulo II, acabaram por morrer”, disse.

O empresário lamentou ainda o facto de a plantação de árvores ser apenas concebida como um mero projeto, salientando que a reflorestação deve ser efetuada com consciência e iniciativa própria de cada cidadão.

“Se plantarmos árvores apenas por necessidade do cumprimento do projeto, quando este acabar terminará o dinheiro e, por último, as árvores. Em consequência, os terrenos continuarão secos e áridos. Todos devem plantar árvores, pois é vantajoso para a vida humana e para a redução de desnutrição, desemprego e pobreza. Devemos, como tal, educar e incentivar os nossos cidadãos para esse fim”, frisou.

Afirmou ainda que a política e orientações relativas à reflorestação devem ser claras e contínuas, não se cingindo apenas a um determinado período de tempo.

O Vice-Ministro do Turismo, Comércio e Indústria (MTCI), Domingos Lopes Antunes, durante a sua intervenção, na passada sexta-feira (20/11), apelou, por seu turno, a todos os cidadãos para a importância do dever de assegurar a proteção das florestas na medida em que estas têm um valor económico significativo, quer no mercado nacional quer internacional.

O governante elogiou, de igual modo, a Direção-Geral das Florestas do Ministério da Agricultura e Pescas (MAP) por ter realizado a conservação florestal das áreas protegidas e dos parques nacionais.

Já o Diretor-Geral das Florestas, Raimundo Mau, informou que as áreas protegidas nas zonas terrestres são ao todo 44, incluindo os dois parques nacionais – Nino Conis Santana e Kay Rala Xanana Gusmão.

Segundo Raimundo Mau, há também duas áreas protegidas nas zonas marinhas, embora ainda não estejam definidas por lei.

“A nossa política florestal define o tratamento, a proteção e a conservação das nossas áreas protegidas, pois estas são de extrema importância para a a biodiversidade”, concluiu. (kyt/ ato/jxy)

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