Governo deposita confiança em tripulação timorense no Berlin Nakroma

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Díli- Depois de o Timor Post ter divulgado uma notícia sobre a questão do esquecimento dos recursos humanos timorenses na área de pilotagem de embarcações, o Ministro dos Transportes e Comunicações, José Agustinho da Silva, revelou que orientou timorenses com formação nesta área para que se organizassem e fizessem parte da tripulação do ferry Berlin Nakroma.

O ministro lembrou ainda que, na semana passada, muitos jovens com especializações na área da tripulação marítima foram ao seu encontro para uma audiência.

“Vários jovens nossos acabaram os seus estudos nesta área. Já dei orientações para que se organizassem numa associação e se registassem, facultando todos os detalhes dos seus estudos para lhes oferecermos oportunidades”, disse o ministro, esta terça-feira (04/08), aos jornalistas do Timor Post, à margem da sua participação nas jornadas orçamentais de 2021, no edifício do Ministério das Finanças, em Aitarak-Laran, Díli.

O ministro reconheceu ainda que o Governo tinha afirmado que Timor-Leste não possuía recursos humanos no setor de tripulação marítima.

“O Governo não lhes deu oportunidades. Tudo depende também da vontade de cada pessoa.  Tenho boa vontade, como também estes jovens timorenses. Devemos, como tal, oferecer-lhes oportunidades”, afirmou o ministro.

Agustinho referiu ainda que a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS) implica uma obrigatoriedade de atracagem do barco Berlin Nakroma para que as condições operacionais de transportes de passageiros de Díli- Oé-cusse ou Ataúro e vice-versa sejam testadas.

O governante acrescentou que foram recentemente aprovados, em Conselho de Ministros, três convenções chave internacionais – STCW, SOLAS MARPOL – para serem ratificadas pelo Parlamento Nacional.

“O problema que temos é possuir um barco, mas pilotado por amigos nossos estrangeiros. Apenas cinco timorenses trabalham ali”, reconheceu.

Flávio Cardoso Neves, Presidente da Administração Portuária de Timor-Leste (APORTIL), disse, por seu turno, que os tripulantes timorenses estão preparados para estas funções no Berlin Nakroma, aguardando a aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2021.

“Esperamos esta oportunidade para que os nossos jovens possam gerir o barco”, afirmou, esta segunda-feira (03/08), ao Timor Post, no seu local de trabalho, no Porto de Díli.

Segundo o responsável, o Governo tolerou, durante dez anos, o recurso a tripulantes estrangeiros por Timor-Leste ser uma nação jovem. Todavia, tem agora disponíveis muitos recursos para desempenharem esses cargos.

“Encontrei muitos jovens na Associação de Marinheiros de Timor-Leste. Resta-lhes que o setor os receba”, disse o ex-Vice-Ministro dos Transportes e Comunicações.

De acordo com o presidente, o novo barco, denominado por Nakroma II, e que está ainda em construção na China, poderá receber estes tripulantes timorenses.

“O processo está a decorrer. Vamos preparar os nossos timorenses para as funções, pois um piloto de barco deve ter experiência e certificado marítimo”, frisou.

Flávio referiu ainda que o Ministro dos Transportes e Comunicações de Timor-Leste já assinou um acordo com o Governo da Indonésia, aguardando também a assinatura de um memorando de implementação para enviar estudantes timorenses para uma academia marítima indonésia.

“A política do ministério permitiu a assinatura de um acordo com o seu homólogo indonésio para receber os nossos estudantes numa academia marítima, já identificada em Surabaya, Indonésia, para que estes possam obter certificados internacionais na área de pilotagem marítima. Aguardamos ainda a assinatura, que foi perturbada pela covid-19”, concluiu. (kyt/mj3)

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