Fidélis desconhece mudança da central de Gás Natural Liquefeito para Natarbora

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Díli- O Ministro da Reforma Legislativa e dos Assuntos Parlamentares (MRLAP), Fidélis Magalhães, disse que não tinha conhecimento da eventual mudança da central de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Beaço, em Viqueque, para Natarbora, em Manatuto.

“Não posso falar sobre o assunto, porque não temos informações em relação à questão”, afirmou aos jornalistas, na passada quinta-feira (19/12), no Parlamento Nacional.

O governante referiu também que o Conselho de Ministros e o Governo ainda não receberam qualquer informação sobre a eventual mudança da central de GNL para Natarbora.

“Ouvi a informação através da comunicação social e, por isso, não posso comentar a questão”, insistiu.

Já o Coordenador da Pesquisa da Organização Não Governamental La’o Hamutuk, Celestino Gusmão, considera que o processo de consulta da equipa da Autoridade Nacional de Petróleo e Minerais (ANPM) e do Chefe Negociador das Fronteiras Marítimas, Kay Rala Xanana Gusmão à população afetada em Beaço e a mudança da unidade de GNL para Natarbora gera confusão entre estes habitantes.

“A ANPM e a Timor GAP têm de explicar à população do local para que não haja confusão”, sugeriu ao Timor Post na semana passada.

O coordenador falava no âmbito de um seminário organizado pela sociedade civil sobre o impacto ambiental do projeto de GNL em Beaço.

“Partilhámos informações sobre a indústria petrolífera em outros países e falámos sobre o Suai. Partilhámos as informações com a população, principalmente com os que serão afetados”, referiu.

“Evitámos abordar a questão da mudança da localização da central de GNL, apesar das preocupações da população. Os habitantes não obtiveram qualquer esclarecimento de Xanana Gusmão, da Timor Gap e da ANPM. Por que se mudou o local para Natarbora sem haver uma clarificação?”, questionou.

O responsável insistiu que esta equipa se deve responsabilizar por explicar à população a eventual mudança da localização da produção de GNL para que esta não fique na incerteza.

Segundo Celestino Gusmão, a La’o Hamutuk recebeu informações de que a população de Beaço, em Viqueque, está preocupada, pois vários projetos do Governo poderão deixar de se realizar no local, nomeadamente o Programa Nacional do Desenvolvimento do Suco.

“A população de Beaço está preocupada. Não há certezas. O Governo não devia cancelar todos os projetos do Estado”, disse.

A La’o Hamutuk abordou ainda no seminário a questão do financiamento do projeto da costa sul, em que se inclui o GNL.

“Explicámos o financiamento possível. O Fundo Petrolífero não será suficiente para todas as componentes da costa sul”, afirmou, acrescentando que outras despesas teriam de ser abandonadas.

De acordo com o responsável, uma das fontes de financiamento passa pelo investimento privado, mas nenhum investidor dá sinais de querer apostar neste projeto da costa sul.

“A petrolífera Woodside, que está no consórcio do Greater Sunrise, já anunciou que não quer investir no projeto”, recordou.

“O que envolve o downstream [transporte, distribuição e comercialização dos derivados do petróleo]? Este é o projeto da costa sul, com a base de fornecimento do Suai, [a indústria] petroquímica, a central de GNL e a autoestrada. A empresa Woodside recusa-se a investir em todas estas componentes da costa sul”, afirmou.

De acordo com Celestino Gusmão, as petrolíferas do consórcio não querem investir e será difícil atrair outros investimentos.

“Não temos indicação de investidores que queiram investir no projeto Tasi Mane”, insistiu.

O coordenador lembrou também que uma outra fonte de investimento seria o recurso ao empréstimo.

“Não há sinais de que os credores internacionais e nacionais queiram conceder empréstimos para o megaprojeto do Tasimane e Greater Sunrise”, alertou, recordando que, no Orçamento Geral do Estado de 2020, o Governo prevê empréstimos no valor de 750 milhões de dólares.

“750 milhões de dólares, 47% dos quais destinados ao projeto da costa sul. Não conhecemos ainda detalhes sobre a forma de pagamento. Não é ainda claro”, realçou.

“O Fundo Petrolífero é único fundo que temos. Devemos discutir a sustentabilidade do processo de desenvolvimento no país”, advertiu. (kyt/flo)