Estado não valoriza artistas timorenses

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DÍLI- Os representantes da Sociedade de Artistas de Timor-Leste (SATL), composta pela organização Almamor, pintores e poetas timorenses, reuniram-se com o Chefe da bancada da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Francisco Miranda Branco, no Parlamento Nacional (PN).

Eládio Faculto, conselheiro dos artistas de Timor-Leste e ex-deputado da Fretilin, revelou que a SATL tinha recebido um convite do Chefe da bancada da Fretilin com vista a valorizar os artistas e o seu futuro.

“O encontro deu destaque à legislação relativa aos direitos de autor e propriedade intelectual. Os artistas timorenses pertencem a uma sociedade que necessita também da atenção do Estado. Os legisladores têm, como tal, consideração em relação às questões em causa”, disse Eládio aos jornalistas no edifício do PN.

O conselheiro referiu ainda que, quando era deputado, juntamente com os parlamentares da Comissão F, tiveram a iniciativa da criação de legislação para os artistas.

“Consegui, com a Comissão F [Comissão que trata dos Assuntos da Cultura, Juventude e Desporto], concluir a criação de uma lei entre os anos de 2016 e 2017, mas não teve aprovação final global e, então, caducou devido ao término do nosso mandato legislativo. É necessário, por isso, rever esta lei”, frisou o ex-deputado.

“Os artistas vivem e merecem também apoio do Estado, tanto legal, político como financeiro”, sublinhou.

 Eládio admitiu ainda que a bancada da Fretilin se comprometeu, no âmbito da audiência, em avançar com a lei caducada e encontrar-se com as demais bancadas do PN para solucionarem a questão em causa.

“O próprio Presidente [do PN] disse-nos, há pouco, que a Bancada da Fretilin está atenta a atos de marginalização face aos artistas timorenses. Por exemplo, nos eventos de comemoração nacional, estes não recebem igual tratamento aos vindos do estrangeiro”, referiu.

Segundo Eládio, algum património cultural de Timor-Leste é atualmente plagiado no exterior, nomeadamente músicas e o tais Timor proveniente de Oé-Cusse.

“Mostramo-nos preocupados com estes atos [ilícitos], mas o que é que podemos fazer sem leis?”, questionou.

Já Henrique do Rosário, o presidente da Almamor, recordou que esta organização reúne músicos e sugeriu uma atenção aos artistas por parte do Estado.

“Lembramos o Estado e o Governo timorense de que a maior parte do orçamento foi gasta em outras áreas, por exemplo no desporto, onde se fazem despesas grandes em viagens ao estrangeiro, sem qualquer resultado positivo, enquanto a Marvi pouco dinheiro gastou, mas fez com que o nome de Timor-Leste fosse falado no exterior. Depois do seu regresso a TL, foi marginalizada”, disse Henrique.

Henrique acrescentou que a Almamor já registou cerca de mil artistas timorenses, mas as suas obras ainda não estão todas registadas.  (jry)