Economistas: Governo sem seriedade para desenvolver setores produtivos

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Díli- Augusto Soares, economista e atual reitor do Instituto Empresarial (IOB, em inglês), disse que, na sua observação, nenhum dos sucessivos Governos timorenses teve a seriedade de construir um setor económico produtivo que complementasse o Fundo Petrolífero.

O reitor considera que Timor-Leste é um país de pequena dimensão e que não se desenvolve “misturando desenvolvimento e política”.

“É tempo de desenvolver este país com seriedade. Não é necessário misturar o desenvolvimento com a política”, afirmou o reitor, no passado sábado (04/07), aos jornalistas do Timor Post.

Segundo Augusto Soares, cabe aos governantes pensarem  com seriedade na gestão das receitas do Estado, visto que, desde o início da governação timorense, “não há capacitação na área económica”.

“Como cidadão, peço ao novo Governo que desenvolva a economia deste país, sobretudo nos setores produtivos, como a agricultura, turismo e manufatura. Várias áreas da agricultura têm sido abandonadas pelo Estado”, afirmou.

“Se quisermos desenvolver a área agrícola, temos de possuir recursos humanos qualificados com experiência técnica na agricultura, infraestruturas, como irrigações, equipamentos avançados e uma definição clara sobre o orçamento a ser gasto neste setor”, defendeu.

Sobre o desenvolvimento do setor turístico, Augusto Soares sugeriu três condições importantes a serem preparadas pelo Executivo.

“Devemos criar taxas, condições adequadas para os turistas, em especial pousadas, e infraestruturas básicas, como a eletricidade e as estradas”, referiu.

Também o economista Estevão da Costa Belo considera que os Governos anteriores não desenvolveram os setores agrícola e turístico.

Estevão Belo pediu, de igual modo, ao Estado que desenvolvesse as áreas produtivas, em cooperação com o setor privado, nomeadamente a agricultura, pescas, turismo e infraestruturas.

Para o economista, o novo Governo tem de aumentar as receitas domésticas, nomeadamente através da subida das taxas nas importações.

“Timor-Leste não deve ser dependente apenas do atual Fundo Petrolífero, o qual será gerido também pelas futuras gerações”, sugeriu.

“O nosso desenvolvimento económico começa a ser visível. As nossas fragilidades estão apenas na gestão.  Muitas vezes confiamos no setor privado, que apenas pretende obter lucros, abandonando a meio do caminho [os projetos]. Isto não é bom. Seria melhor fazermos algo de útil para as nossas futuras gerações”, recomendou.

Estevão Belo acrescentou que há outro setor importante que devia ser desenvolvido pelo Estado – o das pescas.

“Este setor deve ser modernizado. Temos mais de cinco mil pescadores que apenas utilizam equipamentos tradicionalmente manuais com uma produção insuficiente. Assim, importamos peixe [que na verdade temos com fartura]”, concluiu. (jxy)

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