Doentes oncológicos sem possibilidade de tratamento nem em Timor-Leste nem no estrangeiro

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Díli- Os doentes timorenses, nomeadamente os oncológicos, veem-se impossibilitados de fazerem tratamento no país e agora, devido às medidas tomadas para fazer face à covid-19, de serem tratados no estrangeiro.

O Hospital Nacional Guido Valadares não disponibiliza tratamentos como a quimioterapia ou radioterapia por falta de médicos oncologistas especialistas e meios nestas duas áreas.

Apesar de a Junta médica do HNGV ter aprovado uma lista de que fazem parte doentes oncológicos para tratamento no estrangeiro, as transferências foram adiadas devido à falta de voos comerciais e encerramento das fronteiras.

“Não temos outra opção senão tratar estes doentes no estrangeiro, mas os nossos aeroportos e fronteiras continuam encerrados. Estamos a dar o nosso melhor, a fazer o que é possível no país”, afirmou na sexta-feira (15/01), aos jornalistas, no HNGV.

Mateus Pinheiro recordou que, apesar da falta de voos comerciais, era antes possível viajar por terra até Atambua, em Timor Ocidental, e, a partir daí, voar para a Malásia e Singapura. Contudo, o encerramento das fronteiras terrestres deixou sem alternativa os doentes.

Para o clínico, a covid-19 e as medidas tomadas para fazer face à doença vieram expor a fragilidade do sistema de saúde timorense, que padece de falta de recursos humanos e meios materiais.

“Estamos a enfrentar a pandemia da covid-19. Os aeroportos estão encerrados. Daqui um ou dois meses, podemos regressar à normalidade ou, caso a situação epidemiológica se agrave, deverá manter-se o encerramento de fronteiras”, alertou.

Mateus considera que o Governo tem, como tal, de investir em especialistas timorenses e em infraestruturas, não só a nível oncológico mas também em outras doenças, como as renais, que exigem hemodiálise.

Recorde-se que, segundo o Diretor Nacional do Apoio do Serviço Hospitalar e de Emergência, Nílton do Carmo da Silva, 25 doentes deviam já ter viajado para a Indonésia de modo a realizarem tratamento.

“Dos 25 doentes, nove deviam ter viajado na semana passada. Contudo, tal não aconteceu devido ao encerramento das fronteiras”, afirmou em declarações aos jornalistas, na passada quinta-feira (14/01), em Caicoli.

“As viagens não foram canceladas, apenas adiadas, pois os bilhetes já foram adquiridos. As nossas portas de entrada e saída continuam fechadas. Não sabemos quanto às da Indonésia”, acrescentou.

Nílton da Silva lembrou também que se encontram atualmente 25 doentes a receber tratamento no estrangeiro, 14 internados na Indonésia, dez em Singapura e outro na Malásia. (res)