Doenças surgem em Díli após cheias

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Díli- As chuvas fortes que se abateram na passada sexta-feira, no centro e leste da cidade de Díli, deram agora origem a uma imensa poeira, afetando a qualidade do ar da cidade e originando problemas respiratórios e diarreia na população.

A Diretora-Geral da Prestação de Serviços de Saúde do Ministério da Saúde, Odete Viegas, disse esta terça-feira (17/03) que o gabinete do Primeiro-Ministro decidiu formar uma equipa, composta pelo Ministério da Administração Estatal, Secretaria de Estado da Proteção Civil e Ministério da Saúde, para proceder à identificação de todas as vítimas das enxurradas e prestar-lhes assistência médica.

“Os profissionais de saúde vão estar no terreno para lhes dar o melhor atendimento possível”, referiu Odete Viegas, em declarações aos jornalistas, no Hospital Nacional Guido Valadares, em Caicoli.

“O nosso receio é não dispormos de uma equipa técnica à altura que possa garantir a assistência médica a todas as vítimas. Caso isso se concretize, surgirão mais doenças. O nosso papel é, pois, promover ações de sensibilização e prestar esclarecimento à população sobre determinada doença, como é o caso do novo coronavírus. Além disso, o número de casos de dengue está a aumentar em Díli e Ermera. Aqui, em Díli, haverá infeções respiratórias, diarreia e cólera causadas pela presença da imensa poeira na capital. Ao identificarmos novos casos, temos de agir prontamente”, afirmou aos jornalistas, na terça-feira (17/03), no Hospital Nacional Guido Valadares, em Caicoli.

Segundo Odete, a Secretaria de Estado da Proteção Civil realizou já um encontro para apurar o número total de vítimas das cheias que assolaram parte de Díli.

“Vários foram os locais afetados pelas fortes chuvas que caíram em Díli, provocando inundações, sobretudo no Bairro Pité, Becora, Bidau Mota Klaran e Santa Cruz. A equipa de ambulância deu prontamente assistência médica no terreno, tendo identificado pessoas com problemas de hipertensão e diabetes. Apesar de ainda não ter sido identificada qualquer vítima com sintomas de diarreia, é quase certo que existem. Os médicos, enfermeiros e parteiras estão nos locais afetados a prestarem todos os cuidados médicos”, referiu.

Odete lembrou ainda que uma equipa do Ministério da Saúde levou a cabo, no passado domingo (15/03), uma ação de apoio à população mais afetada.

“Apesar de termos assegurado assistência médica, as vítimas das cheias viram perder parte dos seus bens. Temos, pois, de lhes fornecer todo o apoio de que precisam. Recordo que, no dia 15, o Ministério da Saúde fez deslocar uma equipa ao terreno, numa ação humanitária, para acudir as pessoas mais afetadas”, concluiu.

Também o Chefe de Departamento do Banco de Urgência do Hospital Nacional Guido Valadares, Todi de Jesus, é da opinião de que o número de pessoas com sintomas de problemas respiratórios e de diarreia tenderá a aumentar em virtude da poeira que paira sobre a cidade de Díli.

“O nosso medo é que venha a aumentar o número de casos de infeção respiratória, diarreia e dengue. Existe muita poeira nas ruas da cidade que afeta crianças e população em geral. Além disso, receamos que haja muito em breve casos suspeitos de COVID-19.”, disse.

O médico apelou, entretanto, à população que redobrasse os cuidados a ter com a saúde, em virtude da poeira que se faz sentir em várias ruas de Díli e da presença de água contaminada, fruto das cheias da última sexta-feira.

“Conseguimos remover inúmeros detritos, como lama, troncos de árvores e pedras, mas muitas pessoas perderam os seus bens. Além disso, a cidade vive horas difíceis por causa da poeira em muitas ruas da capital. As pessoas deverão também evitar ingerir água, pois encontra-se contaminada”, disse.

Todi de Jesus recordou também que o centro hospitalar foi, de igual modo, afetado pelas enxurradas ocorridas na passada sexta-feira.

“O nosso hospital foi também afetado, pois está localizado entre duas ribeiras. As águas galgaram o leito das ribeiras, causando inundações em muitas casas, incluindo o nosso centro hospitalar. A forte corrente de água entrou pela sala de emergência adentro, danificando vários equipamentos”, afirmou.

Também o Chefe do Centro de Saúde de Formosa, Jaime Belo, considerou que existe uma forte possibilidade de se registar uma subida do número de casos relacionados com infeções respiratórias, diarreia e dengue na sequência das cheias que afetaram até ao momento mais de dez mil pessoas.

“O número de casos de pessoas com sintomas de problemas respiratórios tem subido significativamente. Recebemos diariamente doentes com estes sintomas, devido em parte à poeira que se faz sentir na cidade. A forte chuva que caiu trouxe consigo muita poeira, provocando infeções respiratórias, diarreia, dengue, febre e problemas de pele”, concluiu.

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