Diabetes – Especialistas preocupados com consumo de refrigerantes e alimentos açucarados em Timor-Leste

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Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV)

DÍLI- Médicos e nutricionistas timorenses mostram-se preocupados com o consumo em Timor-Leste de refrigerantes e alimentos açucarados, que contribuem para o aparecimento de diabetes, doença caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue e outras alterações do metabolismo provocadas por deficiência de insulina.

O Chefe de Departamento das Doenças Não Contagiosas do Ministério da Saúde, Frederico Bosco Alves dos Santos, afirmou que, de acordo com um estudo de 2014 do Ministério da Saúde, 1,5% da população adulta timorense sofre de diabetes.

Segundo o médico, não existe ainda uma investigação sobre a incidência da doença nos menores de 18 anos, mas é preocupante o consumo de refrigerantes e alimentos com açúcar no país.

“Circulam, neste momento, em Timor-Leste bebidas com muito açúcar. As pessoas adultas não devem consumir mais de 15 gramas por dia, mas a Coca Cola, por exemplo, tem 26 e o Delos 34”, alertou este sábado (06/02), no Hospital Nacional Guido Valadares.

O clínico recordou também a falta de controlo dos níveis de açúcar no sangue, que pode afetar os olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos e levar a problemas como enfartes, derrames e insuficiência renal. Em casos mais graves, os problemas com a circulação sanguínea podem conduzir à amputação de membros.

“Doenças não contagiosas como as cardiovasculares e a diabetes contribuem com 44% para a taxa mortalidade e deficiência no país. Peço, por isso, a toda população que procure saber qual o seu estado de saúde e evite comer alimentos com açúcar. Os diabéticos devem também manter o tratamento intensivo nas unidades de saúde”, sublinhou.

Também a fundadora da Organização Não Governamental Hamutuk Ita Ajuda Malu (HIAM Health) e nutricionista Rosália Martins da Cruz recorda a necessidade de uma alimentação saudável para que se previna a diabetes.

“Como nutricionista, tenho de encorajar toda a população a controlar a alimentação para que não se verifique um aumento da glicose e, consequentemente, diabetes”, afirmou esta sexta-feira (05/02), em Aimutin.

 A nutricionista lembra que o consumo de alimentos locais em detrimento dos processados ajuda a prevenir a doença e aponta também o dedo ao consumo de refrigerantes.

 Rosália da Cruz alerta também para a necessidade de check-up de seis em seis meses.

“O check-up é muito importante. De seis em seis meses, devemos fazer um check-up nas unidades de saúde para vermos a glicose, mas também o colesterol e controlarmos o peso. Os nossos avós não o faziam, porque não comiam alimentos processados”, afirmou.

No entanto, o controlo da alimentação não se fica apenas pelos doces. Os diabéticos devem também evitar alimentos ricos em farinha branca e grandes quantidades de carboidratos, nomeadamente o arroz, este último alimento a base da alimentação timorense.

Aquilina Moniz, uma jovem diabética de 29 anos, conta que tem de controlar a ingestão de hidratos de carbono.

“Tento manter todos os dias uma alimentação com mais proteínas, vitaminas e minerais e menos carboidratos, o que não é fácil, porque nós, os timorenses, temos como prato principal o arroz. Comemos mais arroz do que tudo o resto”, afirmou.

“Há cinco anos que descobri que sofria de diabetes. No meu caso não é muito grave e, como tal, não aplico insulina com frequência como outros diabéticos. Só preciso de controlar a quantidade de açúcar da comida”, afirmou.

Recorde-se que a diabetes do tipo 1 é uma doença crónica não transmissível, mas hereditária, que surge normalmente na infância ou adolescência, sendo que o tratamento exige o uso diário de insulina.

Já a diabetes do tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida, o que é causado por excesso de peso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados.

A prevenção da diabetes passa pelo consumo diário de legumes e frutas, redução do sal, açúcar e gorduras, prática de exercício físico, controlo do peso mas também por parar de fumar. (isa)

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