Delegado de Bedois acusa Governo de abandonar programa de prevenção do VIH/SIDA

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Foto Especial

DÍLI (Timor Post) – O Delegado da Aldeia de Bedois do Município de Díli, José Ximenes, considera que o Ministério da Saúde (MS) tem descurado o programa ligado à prevenção do VIH/SIDA em Timor-Leste, desde o início da crise pandémica provocada pela covid-19 no país.

José Ximenes recordou que Timor-Leste registou até a data mais de mil pessoas infetadas com o vírus.

“O número de seropositivos tem aumentado de forma gradual nos últimos tempos no país. Contudo, o Governo abandonou por completo o plano previsto para a prevenção desta doença, desde o surgimento da covid-19 em Timor-Leste. O Ministério da Saúde preocupa-se só com a nova doença, deixando de fora os doentes com VIH/SIDA”, lamentou José Ximenes aos jornalistas, esta quinta-feira (07/10), em Bedois.

O delegado lembrou também que os dados do MS de 2019 indicavam que, entre os seropositivos, 200 se encontram na faixa etária entre os 20 e os 40 anos.

“Para atenuar a subida do número de seropositivos, o Governo tem cooperado com a Igreja, mas ainda sem qualquer resultado”, referiu, pedindo, então, ao Executivo que dê maior relevo à prevenção do VIH/SIDA em Timor-Leste.

Respondendo à questão, a diretora do Serviço de Saúde do Município de Díli, Agostinha Segurado, disse que em causa está o facto de a covid-19 se tratar de uma pandemia e ser mais contagiosa se comparada com a doença doVIH/SIDA.

“Devemos centrar-nos na mitigação da pandemia da covid-19, porque é altamente perigosa, pelo que temos de nos preparar bem antes que a situação tende a piorar”, referiu.

Agostinha Segurado recordou ainda que o Executivo está a envidar esforços para proteger a sua população do novo coronavírus, através da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Covid-19 a fim de incentivar a comunidade a tomar a vacina.

Segundo a dirigente, o VIH/SIDA está na lista prioritária do MS, por força do aumento do número de casos em todo o território.

“As pessoas com o VIH/SIDA podem receber tratamento e tomar medicamentos antirretrovirais para prolongarem a sua vida. Contudo, o mesmo não acontece com os infetados com a covid-19. Precisam de mais atenção por parte dos médicos”, sublinhou.

De acordo com os dados da Comissão Nacional de Combate ao HIV/SIDA de Timor-Leste (CNCS-TL), o país registou, entre 2003 e junho deste ano, 1374 pessoas infetadas com o vírus, sendo que 155 morreram, 656 estão em tratamento e os restantes acabaram por desistir dos cuidados médicos. (res)

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