Declarações de deputado do KHUNTO podem provocar instabilidade

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DÍLI – Adolmando Soares Amaral, Reitor da Universidade da Paz (UNPAZ), disse que as declarações do deputado do Partido Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) podem criar instabilidade entre a população timorense.

Adolmando comentava as afirmações do deputado Luís Roberto, durante a sessão plenária no Parlamento Nacional (PN), segundo as quais “os padres devem retirar as suas batinas caso se queiram envolver na política”.

“Os representantes do povo devem possuir ética de comunicação, quando intervêm no plenário. Devemos reconhecer a vida atual da população timorense. A maioria é cristã católica, sendo que a sua obediência está ali [aos padres]”, disse Adolmando, esta quarta-feira (15/07), via telefone, aos jornalistas do Timor Post.

O reitor lembrou ainda que, apesar de serem seres humanos como os outros, os sacerdotes “estão em desempenho da missão de Deus”.

“Como católicos, podemos também ter divergências, mas a comunicação deve ser feita com ética. Mesmo que discordemos do que os padres dizem, devemos usar uma linguagem que não crie confusão”, afirmou.

Segundo Adolmando, as declarações de Luís Roberto estão a criar confusão pública.

“Isto pode criar riscos para a estabilidade [pública], visto que muitos católicos não vão aceitar o que disse o deputado. São declarações que têm um impacto negativo para a estabilidade do país”, defendeu o reitor.

 Adolmando sugeriu, como tal, aos deputados no PN que tenham em consideração a tranquilidade pública.

“Os deputados devem ser atores da paz e estabilidade e não provocadores de instabilidade. Devem, como tal, ponderar cada palavra proferida para que contribua para uma situação de calma neste país. Sugiro ao deputado Luís que contacte os três bispos [de TL] por escrito, caso tenha discórdias”, sugeriu.

“Não é necessário pedir aos padres para retirarem as suas batinas. Nunca devemos esquecer que o processo da independência de Timor-Leste envolvia também uma dura participação da Igreja Católica”, concluiu. (mj4)