Comunidade de Kaisidu rejeita investimento da empresa TL Sement Sa

by -81 views
Foto Espesial

DÍLI (Timor Post) – A comunidade de Kaisidu do Município de Baucau manifestou o seu desagrado pelo facto da empresa TL Sement SA pretender investir num local classificado com área protegida.

“Vamos ser afetados com a instalação de uma fábrica de cimento. Tivemos um encontro com o Primeiro-Ministro para falarmos sobre o assunto. A população rejeita o plano da empresa, mas o Governo não”, disse o Presidente do Conselho dos Veteranos de Díli, Salustiano Belo ‘Uro’, aos jornalistas, na passada sexta-feira (08/10), após o encontro com o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, no Farol.

Segundo Salustiano Belo, caso a empresa cimenteira leve por diante o projeto, deverá sujeitar-se a todos os procedimentos legais, nomeadamente na proteção da área protegida e de conservação da natureza de Kaisidu.

“A companhia tem investido no país. No entanto, enquanto o Governo injetou 46%, a empresa apenas 36%. Esta diferença no que diz respeito ao investimento levanta-nos muitas dúvidas. Se a empresa decidir arrancar com a obra deverá antes de mais respeitar a nossa cultura como diz o artigo n.º 59 da Constituição”, salientou.

Salustiano Belo fez saber, entretanto, que a comunidade de Kaisidu expressou o desejo de a obra levada a cabo pela empresa mudar para outro local de forma a não pôr em causa as áreas protegidas.

“A empresa deverá optar por outro lugar para arrancar com as obras de construção do novo porto. Não queremos que seja construído aqui em Kaisido por ser considerada uma área protegido. Toda a extensão da zona possui 38 casas sagradas, pelo que é nosso dever preservar o nosso património cultural”, referiu.

Na mesma linha, o porta-voz da comunidade de Kaisido, Martinho da Costa Belo, disse que a comunidade é totalmente recetiva a qualquer desenvolvimento, desde que não ponha em causa toda a área protegida da região.

“Não queremos impedir que o nosso país se desenvolva. Mostramos sempre abertura para cooperarmos com o Estado. Agora, a empresa tem de respeitar o nosso património cultural”, ressalvou.

Martinho Belo afirmou, entretanto, que a comunidade está disponível para entregar a zona de Waiono ao Governo para levar por diante um projeto que valoriza os traços culturais tradicionais. (jry)

No More Posts Available.

No more pages to load.