CNRT não fará “movimentos políticos” como outros partidos no Parlamento

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Díli – O líder da bancada do CNRT, Duarte Nunes, afirmou que este partido não fará qualquer movimentação política, como tinha pedido o Presidente da República, na passada segunda-feira (10/02), após o encontro entre líderes históricos.

O Timor Post ainda não obteve informações sobre eventuais movimentações das forças políticas com assento parlamentar – FRETILIN, PLP, KHUNTO, PD, UDT/FM e PUDD, mas o chefe da bancada do CNRT diz que a posição do partido se mantém.

“Nós, aqui [no Parlamento Nacional], aguardamos apenas e não fazemos movimentos políticos. Os outros [partidos] que se procurem. Nós não. Nós não procuramos ninguém. Esta é a nossa posição!”, disse Duarte Nunes ao Timor Post, no Parlamento Nacional, esta quarta-feira (12/02).

Recorde-se que após uma reunião de sete horas com ‘Lú Olo’, os líderes históricos chegaram a três conclusões no que toca ao impasse político. Primeiro, “as eleições antecipadas são o último recurso”. Segundo, todos os partidos com assento parlamentar devem procurar um “movimento político para desenhar a sua opinião e encontrar uma solução e pôr termo à situação política”. Terceiro, o Primeiro-Ministro manter-se-á como Chefe do Governo até se encontrar uma solução para a situação atual.

‘Lú Olo’ disse mostrar-se ainda convicto de que é com o diálogo que poderá ser encontrada uma solução para pôr fim ao impasse e impedir um retrocesso do desenvolvimento nacional.

“É através das opiniões dos líderes históricos que poderemos ultrapassar a situação atual”, afirmou.

“Estou satisfeito com a presença dos irmãos líderes históricos que aceitaram o convite para estar nesta reunião e dialogar sobre várias questões relacionadas com a situação difícil que o país atravessa”, acrescentou.

Estiveram presentes no encontro o ex-Primeiro-Ministro Mari Alkatiri, o ex-Presidente José Ramos Horta, o Major General das F-FDTL Lere Anan Timur, o atual Primeiro-Ministro Taur Matan Ruak e o ex-Secretário de Estado da Defesa e Segurança Roque Rodrigues.

Recorde-se que Xanana Gusmão não marcou presença na reunião. Depois da entrevista à GMN, no passado sábado (08/02), deslocou-se para o suco de Bauro, em Lospalos, para depositar flores na campa da sua mãe adotiva, Jacinta de Jesus.

O Presidente do CNRT afirmou, na entrevista, que o seu partido não participaria num novo Governo e que, segundo a sua “análise informal”, a melhor solução para o impasse político seria a realização de eleições antecipadas.

 

Xanana defendeu também que um novo Governo implicaria a demissão do Primeiro-Ministro e a dissolução do Parlamento devido ao chumbo do Orçamento Geral de Estado (OGE).

“Sinto que, para haver um novo Governo, o Primeiro-Ministro teria de se demitir. Sem Orçamento Geral de Estado, passados 60 dias, o Presidente da República tem de dissolver o Parlamento Nacional”, disse Xanana na Grande Entrevista da GMN.

Xanana não quis esclarecer se não participaria num novo Executivo por ainda se manter a AMP, mas disse ter a certeza de que, num cenário de formação de um novo Governo, o Presidente não daria posse aos elementos do CNRT.

O dirigente do CNRT defendeu ainda que esta questão dos indigitados sem posse afeta a dignidade do seu partido.

Questionado sobre a possibilidade de o CNRT poder formar Governo com a FRETILIN, Xanana afirmou que tal era muito difícil por o seu partido não querer ser um fardo para a FRETILIN.

“É difícil para nós, CNRT. Não queremos transformar-nos num fardo para a FRETILIN. Alguns dizem que é por causa da estupidez do CNRT que agora a nação está neste impasse político”, disse.

O líder do CNRT lembrou ainda as diferenças entre o seu partido e a FRETILIN, nomeadamente no que toca à questão do Tratado das Fronteiras Marítimas.

Xanana elogiou também os deputados do CNRT pela sua “maturidade política e por mostrarem que tinham conhecimento dos aspetos legais e financeiros e do próprio sistema”.

Questionado sobre as declarações de Taur, de que o CNRT é que tinha matado a AMP, Xanana lembrou “a ata anterior ao debate do OGE de 2020, segundo a qual a base do impasse político era o facto de o Presidente da República se recusar a dar posse aos nove elementos do CNRT indigitados”. (ato)

 

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