CNCS-TL quer identificar doentes com VIH/SIDA que abandonaram tratamento

by -43 views

DÍLI – A Comissão Nacional de Combate ao VIH/SIDA de Timor-Leste (CNCS-TL) criou uma equipa com o objetivo de identificar os doentes com VIH/SIDA que decidiram, entretanto, abandonar o tratamento.

“Enfrentamos inúmeros problemas em relação à identificação dos portadores do VIH/SIDA que, entretanto, saíram a meio dos tratamentos. Criámos, por isso, uma equipa para os identificar com o objetivo de prosseguirem o seu tratamento”, disse o Secretário-Executivo da CNCS-TL, Atanásio de Jesus, ao Timor Post, esta quinta-feira (18/02), no seu local de trabalho, na praia dos coqueiros.

De acordo com o responsável, o abandono dos tratamentos por parte dos portadores de VIH/SIDA deve-se a escassez de recursos financeiros bem como ao distanciamento entre o local de residência e o centro hospitalar.

“Apoiámos as vítimas do VIH/SIDA mais carenciadas através da criação de pequenos negócios para fazer face às suas necessidades”, lembrou.

Recorde-se que a Diretora da Organização Não Governamental Estrela+, Inês Lopes, se mostrou preocupada com a vulnerabilidade dos portadores de VIH/SIDA que não fazem tratamento em caso de infeção com a covid-19.

“Os portadores de VIH em tratamento já sabem como se proteger, mas os que ainda não fazem tratamento são um grande problema. Se não se tratarem e contactarem com pessoas infetadas com covid-19, poderão facilmente contrair esta doença”, afirmou

A dirigente destacou, como tal, a importância da divulgação de informação sobre a prevenção da covid-19 entre os seropositivos.

“É importante o Governo disseminar informações junto da população em relação à covid-19 e VIH/SIDA. São doenças diferentes. Continuamos a divulgar informação sobre o VIH, incluindo sobre o impacto do novo coronavírus nos seropositivos”, acrescentou.

Inês Lopes recordou também que a instituição tinha já efetuado sensibilização em relação à covid-19 junto dos seropositivos nas zonas junto às fronteiras, as áreas de maior risco.

Segundo a diretora, a Estrela+ continua a tentar chegar aos portadores de VIH/SIDA que deixaram o tratamento para que se voltem a tratar.

“Continuamos a incentivar estes portadores a manterem a medicação, porque alguns têm apenas febre ou tosse e acham que estão infetados com o novo coronavírus”, acrescentou.

Inês Lopes apelou ainda aos seropositivos que vivem longe das unidades de saúde que contactassem a Estrela+ para obterem medicamentos.

A dirigente destacou também a necessidade de o Governo dotar os hospitais de referência de mais meios humanos e de fármacos para que possa assegurar o tratamento adequado aos portadores do VIH, contribuindo para a redução do risco de transmissão.

De acordo com os dados cumulativo nacional de 2020, o número de doentes com VIH/SIDA é atualmente de 1256, sendo que 799 são do sexo masculino e 457 do sexo feminino. Deste número, 148 viriam a falecer, 592 estão em tratamento antirretroviral e 516 abandonaram o tratamento. Quanto à faixa etária, a maioria dos portadores de VIH/SIDA situa-se entre os 25 e os 44 anos de idade (754 casos). Entre os 15 e os 24 anos registam-se ao todo 334 infetados, e com mais de 45 anos um total de 109 doentes. Por último, a faixa etária entre os 6 e os 14 anos regista somente14 casos. (res/isa)