Cinco crianças morreram até agosto no HNGV com desnutrição aguda

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DÍLI- O Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) registou, de janeiro a agosto deste ano, cinco mortos com desnutrição aguda. Além da má nutrição, foram também reportadas quatro mortes por sepse e meningite.

“Segundo os dados, cinco crianças foram internadas, já em risco de morte, com má nutrição grave ou aguda. Outros quatro casos tiveram complicações, nomeadamente infeções que não afetaram apenas os intestinos, mas todo o corpo. Morreram de sepse e de meningite”, revelou a Chefe do Departamento da Pediatria interina do HNGV, Lurdes Leão, esta segunda-feira (07/09), em Bidau Toko Baru.

Segundo Lurdes Leão, o hospital registou 294 pacientes com sintomas de diarreia, que viriam provocar os casos de desnutrição aguda.

“Registámos, desde janeiro, 294 doentes com diarreia, uma média de 40 por mês”, disse, acrescentando que julho e agosto foram os meses em que mais casos surgiram.

Segundo a dirigente, a maioria dos casos de diarreia é de origem viral, o que torna fundamental o consumo por parte das crianças de alimentos ricos em nutrientes para evitar o problema.

Lurdes Leão lembrou que o Ministério da Saúde já introduziu no sistema de saúde a vacina contra o rotavírus, um dos principais agentes virais causadores de doenças diarreicas agudas e uma das causas de diarreia grave em crianças, sendo dada prioridade à vacinação de crianças com idade abaixo de um ano.

A pediatria pediu a toda população que levasse os seus filhos aos serviços de cuidados de saúde mais próximos.

“É importante a criança tomar medicamentos, de acordo com o volume perdido de água ou diarreia”, disse.

A médica pediu ainda todas as mães que procurassem viver num ambiente limpo, lavassem as mãos, cortassem as unhas antes de preparar as refeições dos seus filhos para evitar o aparecimento de diarreias.

A pediatra avançou também que a transferência de uma criança do município de Ermera para o HNGV sofreu um atraso e a doente viria a falecer.

“Chegou aqui já em estado crítico. Esforçámo-nos muito, mas não conseguimos salvá-la. A maioria das mortes de crianças com menos de dois anos deve-se a problemas gastrointestinais”, recordou. (isa)