Bancada do CNRT condena fortemente “discriminação e racismo” de Olinda Guterres

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DÍLI- A Bancada do partido Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), condena fortemente o que considera de “atos de discriminação e racismo” da deputada Olinda Guterres em relação a Maria Fernanda Lay, a quem chamou de “china pirata”.

“A bancada do CNRT condena os atos de discriminação de uma personagem racista, a deputada Olinda Guterres, em relação a uma deputada deste partido”, afirmou a representante do CNRT, Maria Terezinha Viegas, em conferência de imprensa, esta quinta-feira (18/06), no Parlamento Nacional.

Recorde-se que a líder da bancada do partido Kmanek Haburas Unidade Nasional Timor Oan (KHUNTO), Olinda Guterres, chamou, esta quarta-feira (17/06), a deputada do CNRT de “china pirata” durante uma discussão originada pelo facto de Maria Fernanda Lay ter usado o português numa intervenção.

O CNRT mostrou, por isso, o seu forte desagrado em relação ao comentário da líder da bancada do KHUNTO.

“A deputada Olinda Guterres, fundadora do partido KHUNTO e presidente da sua bancada, usou a expressão ‘china pirata’ para discriminar a deputada do CNRT, depois da intervenção em língua portuguesa, no processo de audiência sobre o levantamento extraordinário do Fundo Petrolífero”, lembrou.

Além do “racismo” do comentário, a bancada do CNRT recordou que Maria Fernanda Lay é uma cidadã timorense.

“O KHUNTO teve a coragem de usar termos racistas como ‘china pirata’ em relação a esta deputada do CNRT. Perguntamos qual foi motivo que levou a deputada Olinda Guterres a insultar e atacar a cidadania de Fernanda Lay”, questionou.

A representante do CNRT lembrou também o artigo 16.º da Constituição, segundo o qual todos os cidadãos são iguais, independentemente da raça, origem étnica, língua que falam ou ideologia política.

A parlamentar recordou igualmente que a Constituição prevê como línguas oficiais de Timor-Leste o tétum e o português, considerando, por isso, que este se tratou de um insulto ao povo timorense e sobretudo ao CNRT.

Segundo Maria Terezinha Viegas, também Olinda Guterres já fez muitas intervenções em português no plenário, pelo que não devia questionar outros deputados que o fazem.

“Lamentamos muito, porque a deputada Olinda Guterres é uma representante do povo, mas constitui um perigo e uma ameaça para o nosso país, cujos princípios e normas se baseiam no pluralismo”, afirmou.

“Esta atitude de discriminação indica que não é uma representante do povo e aproveita a cadeira de deputada para promover o ódio, a vingança política e atos de discriminação na sociedade”, acrescentou.

A bancada do CNRT defende ainda que Olinda Guterres fomenta o racismo, “desprezado em todo o mundo”, e lembra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já ratificada por Timor-Leste.

Os deputados do CNRT pediram, por isso, que se acabasse com a discriminação no Parlamento Nacional, “num país criado com o sacrifício de muitas pessoas para alcançar a independência”.

Fernanda Lay pede intervenção do Parlamento e Olinda diz não pedir desculpa

Para a deputada Maria Fernanda Lay, esta questão deve resolver-se com base no regimento do Parlamento Nacional e junto da Comissão de Ética.

“As regras do regimento do Parlamento Nacional são muito claras. Existe também uma Comissão de Ética no Parlamento. Espero que o atual Presidente do Parlamento Nacional tome medidas, pois não foi a primeira vez que Olinda Guterres atacou verbalmente deputados no plenário”, afirmou, pedindo ainda ao público que julgasse estes atos.

Já Olinda Guterres se defendeu, referindo que agiu “com o coração”. Insistiu ainda ser necessário usar o tétum nos debates do orçamento para que toda a população possa compreender.

“A deputada Maria Fernanda Lay disse que eu não sabia português, porque não estudava, e que no Parlamento há cursos. Já tenho 69 anos. Agora é que vou aprender esta língua? Por isso, fiquei zangada e usei a expressão ‘china pirata’. Então, ela também ficou zangada e agredimo-nos”, recordou.

A deputada declarou que não pedirá desculpa a Maria Fernanda Lay, pois considera “normais estas declarações em política”. (isa)

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