APORTIL reconhece sobrelotação de Nakroma

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O Presidente da Autoridade Portuária de Timor-Leste (APORTIL), Flávio Cardoso Neves

Díli- O Presidente da Autoridade Portuária de Timor-Leste (APORTIL), Flávio Cardoso Neves, reconhece o excesso de passageiros do barco Berlin Nakroma devido à gratuitidade para menores de 17 anos.

“É um problema antigo. A APORTIL reconhece isto. Seria necessário revermos os preços dos bilhetes. Isto não significa aumentar ou reduzir o preço, mas rever a questão do transporte gratuito para passageiros menores”, afirmou ao Timor Post, esta quinta-feira (06/08), no seu local de trabalho, no Porto de Díli.

Segundo o presidente, a capacidade de transporte do barco é no máximo de 300 pessoas, mas, muitas vezes, os pais levam consigo dois ou três menores.

“Um dos problemas que enfrentamos é que um dos pais compra apenas um bilhete e leva consigo os seus dois filhos [menores]. A experiência comprova isto. Caso cada passageiro leve um menor, então atingimos os 600”, explicou.

O responsável lamentou ainda a atitude dos próprios agentes de segurança que ajudam os passageiros a viajar sem bilhetes, pois a APORTIL permite o transporte grátis de elementos da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) que vão desempenhar as suas missões em Ataúro ou Oé-Cusse.

“Há indivíduos [agentes da segurança] que facilitam a viagem de passageiros sem pagamento de bilhete. A APORTIL já se tentou coordenar com a PNTL e as F-FDTL para resolverem a questão em causa. Os elementos destas instituições de defesa e segurança podem viajar apenas mostrando os seus cartões. Recebemo-los de acordo com as regras”, garantiu.

O presidente acrescentou que a APORTIL está a planear a criação de um terminal de controlo de passageiros e de carga.

“O número de bilhetes por operação é de 300 [passageiros] e a carga de 140 toneladas. Cada viagem de Díli a Ataúro e vice-versa custa oito dólares, enquanto de Díli a Oé-Cusse é de quatro dólares americanos”, explicou.

Reparação das rampas do Nakroma custa 1500 dólares americanos

Em relação ao custo da reparação das rampas do barco Berlin Nakroma, problema que impediu operações durante alguns dias, Flávio disse que a autoridade gastou entre 1500 e 2 mil dólares americanos.

“Soldar uma rampa custa 400 dólares. Soldaram quatro, então temos de gastar entre 1.500 e 2 mil dólares”, disse.

De acordo com o presidente, o orçamento anual para a manutenção, combustível e gestão de tripulação é de dois milhões de dólares americanos.

Questionado sobre as preocupações da sociedade sobre as verbas para manutenção do barco, Flávio respondeu que as receitas cobrem as despesas para manutenção, combustível e gestão de tripulação.

“Muitas pessoas questionam as condições do Nakroma e as receitas que não cobrem os gastos. Respondemos que as receitas podem cobrir as despesas operacionais”, garantiu.

O responsável explicou ainda que o barco tem tido uma boa gestão e manutenção durante 14 anos e, por isso, continua a operar em boas condições.

Operações do Nakroma já registado como timorense

O Presidente da APORTIL lembrou ainda que Timor-Leste já se tornou membro da Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) e o Nakroma já obteve, como tal, um documento legal para operações.

“O Nakroma está registado como nosso barco e podemos usar a nossa bandeira segundo o despacho ministerial”, referiu.

Flávio lembrou ainda que depois da aprovação, em Conselho de Ministros, da Convenção Internacional sobre Normas de Formação, Certificação e Serviço de Quartos para os Marítimos, Timor-Leste já pode regular as operações dos seus barcos, usando a bandeira nacional, e arrecadar receitas para os cofres do Estado.

“Caso haja países estrangeiros que queiram registar as operações dos seus barcos com a nossa bandeira, podemos obter receitas para os cofres do Estado, como antes acontecia com a Indonésia, quando utilizávamos a sua bandeira. Isto cabe à Direção Nacional dos Transportes Marítimos (DNTM)”, disse.

O responsável sublinhou ainda que a embarcação deve manter as regras da DNTM e, para qualquer manutenção, a APORTIL deve cooperar com esta instituição nacional. (jho)

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