ADTL quer que pessoas com deficiência tenham acesso a educação

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DÍLI – O Diretor da Associação de Deficientes de Timor-Leste (ADTL), Cesário da Silva, disse envidar esforços para que todas as pessoas com deficiência possam ter acesso a educação.

“Estamos a esforçar-nos para que todas as pessoas com deficiência estejam matriculadas nas escolas. Não quero, contudo, com isto afirmar que não têm conhecimentos”, afirmou o responsável aos jornalistas, na segunda-feira (06/07), em Mascarenhas.

Cesário da Silva recordou ainda que, segundo os Censos de 2015, existem 38.118 pessoas com deficiência motora, auditiva, visual e cognitiva, sendo que, de acordo com o responsável, 25 mil são analfabetas por não terem acesso a educação.

O Diretor da ADTL revelou igualmente que a direção está a delinear um plano para ser posteriormente entregue ao Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD), que incidirá, entre outros, num programa de educação recorrente. O plano tem por objetivo permitir que todas as pessoas com deficiência se possam candidatar ao ensino primário.

“Podemos frequentar anualmente o ensino recorrente, realizando os exames finais, e finalmente recebermos os certificados. O objetivo é prosseguirmos os estudos, frequentando o nível secundário e até o ensino superior”, referiu.

Para Cesário da Silva, a ADTL é uma associação que auxilia outras organizações que trabalham e apoiam pessoas com deficiência em Timor-Leste. A ADTL assenta numa plataforma da sociedade civil, cuja missão principal é garantir a capacitação das pessoas portadoras de deficiência em diferentes áreas para competirem no mercado de trabalho.

O responsável sublinhou, de igual modo, que a associação promove anualmente programas para acesso à escola, desde o ensino primário ao superior.

“Reconhecemos que ainda não conseguimos encaminhar todas as pessoas com deficiência para a organização, pelo que vamos definir uma política de registo de todos sem exceção”, garantiu.

Segundo Cesário da Silva, as Organizações Não-Governamentais em Timor-Leste oferecem também oportunidades de trabalho às pessoas portadoras de deficiência, ao contrário das instituições estatais que “as discriminam, muitas vezes, por olharem apenas para a sua condição física em vez das suas competências”.

O responsável pediu, como tal, à Comissão da Função Pública, que 55% das vagas a concurso para o recrutamento de pessoal para a administração pública fossem direcionadas às pessoas com deficiência para que seja garantida uma sociedade inclusiva no país.

“Garanto que os cidadãos portadores de deficiência têm capacidades para competirem no mercado de trabalho, porque tiveram acesso a várias formações e são naturalmente competentes”, defendeu.

Governo empenhado em disponibilizar fundos para ADTL

Já o Diretor-Geral da Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego (SEFOPE), Paulo Alves, garantiu que o Executivo está empenhado em disponibilizar fundos e desenvolver formações para as pessoas com deficiência em Timor-Leste.

“As pessoas com deficiência têm os mesmos direitos que outras. Não podemos ignorar as suas competências só por causa da sua condição física. Por isso, a SEFOPE cooperará com a ADTL para promoverem mais formações para os seus membros”, assegurou.

De acordo com Paulo Alves, os apoios a conceder futuramente à ADTL terão como objetivo incentivar os seus elementos a competirem no mercado de trabalho.

“Embora tenham capacidades e competências, faltam-lhes oportunidades, pois muitas das pessoas olham só para a sua condição física”, afirmou.

O diretor recordou igualmente que a SEFOPE não se dedica apenas a disponibilizar formações profissionais às pessoas com deficiência, mas também facultar-lhes o acesso à educação recorrente em Timor-Leste, cumprindo, assim, o artigo 50.º da Constituição da RDTL sobre o Direito ao Trabalho. (mj1)

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