Académicos preocupados com economia do país

by -50 views

Díli – Os académicos da Universidade de Díli (UNDIL) Alfredo dos Santos e da Universidade Nacional Timor Loro’sae (UNTL) Víctor Soares mostram-se preocupados com a atual situação económica do país vivida nos últimos três anos, provocada pelas crises política e sanitária.

Para Alfredo dos Santos, o impasse político e a crise sanitária são os principais fatores da recessão económica e do aumento das taxas de desemprego e de pobreza em Timor-Leste.

“Estamos a viver uma situação grave devido ao aumento da taxa de desemprego. As empresas nacionais e internacionais têm vindo a fechar as suas portas por causa da falta de iniciativa do Governo na prossecução de mudanças significativas”, afirmou na quarta-feira (16/09), o Decano da Faculdade da Economia da UNDIL, Alfredo dos Santos, ao Timor Post, em Mascarenhas.

Alfredo dos Santos referiu ainda que, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Mundial, a taxa de pobreza tem vindo a crescer, atingindo os 49,9%, pelo que sugeriu ao Executivo que definisse uma estratégia para contornar a situação.

Na perspetiva do académico, os políticos “só querem mostrar que Timor-Leste tem potencial ao nível dos recursos marítimos, sobretudo na área petrolífera, mas a população continua a passar mal”.

“Todos devem questionar as condições do país. Não fechem os olhos. Cantamos dia e noite por termos petróleo, só para mostrarmos que somos ricos. No entanto, a realidade é outra”, afirmou.
Fez ainda um apelo ao Executivo que apostasse nas áreas produtivas, como a agricultura, pescas e turismo, por forma a não estar dependente do Fundo Petrolífero, apesar de ser o “único motor” para o sustento da máquina do Estado.

Governo sem capacidade para construção de gasoduto
Já o académico da UNTL Víctor Soares se mostrou preocupado com a demissão do Chefe Negociador Principal para a Delimitação das Fronteiras Marítimas, Kay Rala Xanana Gusmão, e com a vinda do gasoduto para Timor-Leste, na medida em que considera que o atual Governo por si só não conseguirá pôr em marcha a construção na costa sul, facto que prejudicará diretamente a economia.

Segundo Víctor, a obra deixada por Xanana não se cingiu apenas ao interesse pessoal nem partidário, mas a todo povo. Pediu, por isso, aos cidadãos e líderes dos partidos que o apoiassem, contribuindo, desta forma, para estimular a economia.

O académico referiu igualmente que a construção do gasoduto para Timor-Leste constitui para Xanana “um problema menor”, pois recorda que o líder carismático já exerceu diversas funções políticas, nomeadamente a de Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico e membro do Conselho Consultivo do G7+.

Manifestou, por último, preocupação em relação à falta de um plano estratégico por parte do Ministro do Petróleo e Minerais, Víctor Soares, visto que não há mudanças visíveis no desenvolvimento do país. (jho/mj2)