Académicos: Impossível implementar programa Cesta Básica em dois meses

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DÍLI- Académicos da Universidade da Paz (UNPAZ) e Universidade de Díli (UNDIL) consideram que é impossível o Governo implementar o programa Cesta Básica em apenas dois meses.

O Reitor da UNPAZ, Adolmando Soares Amaral, disse ao Timor Post, esta quinta-feira (22/10), em Manleuana, que a política do Executivo relativa à Cesta Básica ajuda a população, mas os produtores não estão preparados para fornecer os produtos necessários.

“O Governo pensa que, através da Cesta Básica, pode ajudar os agricultores, mas, por exemplo, se cultivarmos agora mandioca, só no próximo ano está disponível. Neste momento, não é época de milho nem de arroz. Em relação à batata e mandioca, como as poderão adquirir, se a época da seca já é longa?”, questionou.

Adolmando alertou também que o Governo tem de decidir a curto prazo quais os supermercados que disponibilizarão os produtos locais e tem dúvidas de que estes sejam suficientes para os mais de 1,3 milhões de habitantes.

O académico receia, por isso, que o Executivo seja obrigado a adquirir produtos importados.

Já o decano da Faculdade de Economia da UNDIL, Alfredo dos Santos, considera que, apesar de a Cesta Básica pretender promover os produtos locais, a população não valoriza estes alimentos.

“Quero perguntar se estes produtos locais são suficientes para nós, porque a produção é reduzida”, alertou.

Também Alfredo Santos tem receio de que, por falta de produtos nacionais, o Governo tenha de adquirir os importados.

“Este orçamento que foi aprovado para o plano Cesta Básica continuará a voar para o exterior, porque os timorenses e os políticos falam só da boca para fora”, frisou.

O Ministro da Administração Estatal (MAE), Miguel Pereira Carvalho, disse, por sua vez, que o MAE já recolheu os dados dos beneficiários que receberão o apoio da Cesta Básica e facultou-os ao Ministério Coordenador dos Assuntos Económicos (MCAE) para traçar um plano de distribuição.

Segundo Miguel Pereira, os beneficiários da Cesta Básica serão identificados de acordo com os dados obtidos pelo Ministério da Solidariedade Social e Inclusão (MSSI) para o pagamento do subsídio de 200 dólares americanos.

“Usamos, atualmente, estes dados para irmos novamente aos chefes de suco e confirmarmos quantas pessoas existem por agregado familiar, segundo as fichas de família registadas em cada suco”, adiantou.

Cada beneficiário da Cesta Básica receberá um total de 50 dólares nos meses de novembro e dezembro, sendo que o apoio consiste em 25 dólares mensais.

A Cesta Básica tem prevista uma dotação de 71,1 milhões de dólares americanos para a aquisição de produtos locais em todos os municípios. (ono/jho)

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