Académicos acusam deputados de não representarem povo

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DÍLI- O analista político Camilo Ximenes Almeida considera que os atuais deputados do Parlamento Nacional (PN) não representam o povo, mas os seus próprios interesses.

“Os deputados não são iguais aos de antes. Dizem-se os ouvidos, os olhos e a boca do povo, mas são-no apenas de acordo com os seus padrões, porque não se interessam pelos problemas da população”, disse Camilo Almeida, ao Timor Post, esta terça-feira (27/10), em Caicoli.

O analista afirmou ainda que os parlamentares precisam de passar uma boa imagem do partido para obterem a confiança dos cidadãos, o que não está a acontecer.

“Uma tarefa muito importante dos deputados é o controlo da execução orçamental e a fiscalização dos projetos. Estas são as competências mais importantes dos parlamentares”, recordou.

“As verbas do orçamento com um valor elevado vão para as necessidades do povo ou para os bolsos de um governante? Isto tem de ser relatado a instituições como a Comissão Anti-Corrupção [CAC] e a Provedoria dos Direitos Humanos e Justiça [PDHJ]”, acrescentou.

O analista defende também que, apesar das rivalidades, os deputados têm de saber representar os cidadãos que os elegeram.

“É normal surgirem desentendimentos entre grupos e partidos ou fragilidades partidárias. Fazem parte da competição, mas têm de mostrar as suas competências como parlamentares. O que precisam de fazer para se tornarem os ouvidos e boca do povo?”, questionou.

Para Camilo Almeida, as forças políticas têm ainda a obrigação de orientar os seus membros, porque o seu comportamento é visto também fora do país.

Também a docente da Universidade Oriental de Timor Lorosa’e (UNITAL) Felicidade Ximenes considera que, desde 2007, os deputados não têm falado sobre os interesses do povo, mas apenas dos partidos.

“Os parlamentares sentam-se no Parlamento para falarem sobre os interesses do partido e, assim, se manterem no cargo”, frisou

A docente criticou também o Governo por não ouvir as exigências do povo, nomeadamente no que toca à alimentação, educação e vida nas zonas rurais.

“Às vezes, vou à montanha. A população come mandioca seca e algumas pessoas dormem doentes. Os deputados nunca vão ver os habitantes das áreas remotas. Só veem os da cidade. Dizem que vão às montanhas, mas nunca o fazem”, afirmou. (sfj2)

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