Académico da UNTL: Impossível Governo executar OGE de 1,4 mil milhões de dólares

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Díli- Camilo Ximenes, académico da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), disse ser inexequível o Governo executar o Orçamento Geral do Estado de 2020 (OGE) no montante de 1,4 mil milhões de dólares.

Tenho muitas reservas quanto à execução do valor total previsto para o orçamento de 2020. Torna-se uma tarefa muito difícil executá-lo num tão curto espaço de tempo. É impossível [executar tudo]”, afirmou ao Timor Post, na sexta-feira (28/08), em Caicoli.

O analista sugeriu, por isso, ao Governo que analisasse com detalhe e precisão o orçamento alocado a cada ministério.

“Será que o Governo tem margem de manobra para executar o OGE de 2020 em dois meses? Necessita primeiro de o analisar bem e deverá sofrer uma redução. Por outro lado, ainda não sabemos se o orçamento será ou não aprovado”, referiu.

Segundo o docente universitário, o orçamento previsto para 2020 deverá centrar-se nos setores considerados essenciais ao desenvolvimento do país, como a educação, agricultura e turismo.

“O Chefe do Governo deve tomar em conta as áreas-chave para o desenvolvimento do país”, afirmou.

“Para mim, as verbas disponibilizadas para cada setor não me convencem. O plano traçado deveria abranger todo o território, inclusive todos os sucos. Caso uma estrada secundária de um determinado suco necessite de reabilitação, temos então de a construir. O Governo não pode traçar um plano com previsões para cinco anos. Temos, pois, de reverter esta situação. Se apresentarmos o orçamento destinado às infraestruturas e não o concretizarmos, significa então que a proposta é meramente verbal. Por que razão é que a eletricidade chega aos postos administrativos, mas em alguns sucos isso não acontece?”, questionou.

Recorde-se que Taur Matan Ruak, Primeiro-Ministro, tinha afirmado que o valor alocado ao OGE de 2020 visa proceder ao pagamento das dívidas de janeiro a dezembro deste ano e garantiu que os 1,4 mil milhões serão gastos, no caso de vir a ser aprovado.

À semelhança de Camilo Ximenes, também o académico da UNTL, Júlio Aparício, mostrou incerteza face à capacidade de o Governo executar o OGE destinado somente a dois meses. Em contrapartida, propõe que sejam reduzidas as dívidas.

“O Governo deve delinear um plano que vá no sentido de reduzir as dívidas. Por que razão é que temos de contrair mais dívidas? O atual Governo deve ir ao encontro das necessidades do povo. Apesar de o país contrair dívidas, as vias de comunicação são rudimentares e o país não possui qualquer sistema de irrigação”, lamentou ao Timor Post, na passada quinta-feira (27/08), no seu local de trabalho.

O académico propôs ainda ao Governo que desse uma justificação clara à população sobre o valor referente ao OGE de 2020.

“A meu ver, o OGE de 2020 visa apenas garantir o pagamento das dívidas. O Governo construirá quantas escolas, estradas e pontes? Será que está apenas a gozar? O povo está a sofrer. O Parlamento e os ministérios abastecem-se, mas esquecem-se do povo”, referiu.

O analista manifestou também o seu desagrado pelo facto de o Governo se cingir apenas a levantamentos do Fundo Petrolífero acima do Rendimento Sustentável Estimado, sem que contribua para o bem-estar do povo.

“Levanta o orçamento e gasta-o de forma aleatória sem ir ao encontro das necessidades das comunidades”, afirmou

“Peço ao Governo que demonstre transparência na execução do orçamento, como por exemplo o orçamento disponibilizado para o Fundo Covid-19. Até à data, desconhecemos o real destino das verbas. Quanto ao OGE de 2020, não faz sentido ser realizado em dois meses”, concluiu. (jry)

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