36% de timorenses vivem em insegurança alimentar

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DÍLI – As riquezas do país não são bens geridas pelo Governo, pelo que 36% da população continua a viver com insegurança alimentar, disse na terça-feira (29/09) a investigadora da Organização Não Governamental Luta Hamutuk Eliziaria Gomes, após a apresentação do relatório de 2019 do Governo e dos parceiros de desenvolvimento, em Caicoli.

Eliziaria Gomes referiu ainda que, segundo o documento, apenas entre 15% e 37% de agregados familiares têm capacidade para adquirir diariamente alimentos nutritivos. Já 40% de crianças têm peso a menos e 46% com idade inferior a cinco anos sofrem de nanismo.

Segundo a investigadora, apesar de o Executivo ter gasto 12 mil milhões do Fundo Petrolífero, 46% dos timorenses continuam a viver em pobreza multidimensional, faltando acesso a educação, saúde e saneamento básico.

Acrescentou que o Governo “não tem cuidado” no uso dos recursos minerais e petrolíferos, que, caso sejam bem geridos, podem contribuir para a melhoria do bem-estar dos seus cidadãos, principalmente dos mais vulneráveis, e para investir nos setores com potencial.

Também Mariano Ferreira, investigador do Ministério da Agricultura e Pescas, disse que a questão da insegurança alimentar do país se agravou em relação ao ano passado devido ao impasse político,  que o país tem vivido ao longo dos últimos três anos, e à atual crise sanitária, provocada pelo surto pandémico do novo coronavírus.

O investigador referiu igualmente que os líderes não têm nenhuma política que vise pôr termo às crises em causa e que contribua para a melhoria do quotidiano dos timorenses.

“O nosso povo continua, até ao momento, a lamentar a falta de saneamento básico, água, educação e saúde, porque o Governo dedica anualmente uma fatia superior aos projetos, que não beneficiam a população, em detrimento nas áreas produtivas, como no setor agrícola”, sublinhou.

Mariano Ferreira recordou igualmente que Timor-Leste sofreu, de 2008 a 2019, de uma diminuição de cerca de 21% na produção de milho e 7% na de arroz.

“Em 2008, Timor-Leste conseguiu produzir 48.154 toneladas de arroz e, em 2019, apenas 47.822 toneladas. Quanto ao milho, em 2008, o país produziu 95.433 toneladas e, em 2015, conseguiu só 75.690 toneladas”, lembrou, salientando que, de acordo com os dados apresentados, a dependência das importações tem vindo a aumentar, ameaçando assim a segurança alimentar. (ono)

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